terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Pentângulo #1 : lançamento no dia 27 de FEVEREIRO na Ar.Co.

capa de Daniel Lima

PENTÂNGULO é uma publicação anual que mostra resultados de uma parceria entre a Escola Ar.Co e a Associação Chili Com Carne, que aqui unem os seus esforços criando um novo projecto editorial.

Este tem como objectivo conferir visibilidade ao trabalho de novos autores cuja formação tenha sido feita no curso de Ilustração e Banda Desenhada do Ar.Co. Numa relação saudável de partilha entre nomes consagrados e estreantes, a iniciativa conta com a participação de alunos, ex-alunos e professores.

O Departamento de Ilustração/BD do Ar.Co tem vindo a por em prática um modelo pedagógico que privilegia as aplicações específicas da ilustração e banda desenhada em relação ao mercado editorial, tendo para o efeito realizado parcerias com várias entidades ao longo dos seus 18 anos de existência. A Chili Com Carne - e a sua "irmã" MMMNNNRRRG - foi um dos parceiros com quem o departamento colaborou, como o atestam as publicações Brincar com as palavras, Jogar com as palavras, em 2002, e mais recentemente O Andar de Cima de Francisco Sousa Lobo, álbum realizado no âmbito do Ano Europeu do Cérebro, em 2014.

É na sequência destas colaborações que estas duas associações se juntam novamente, para afirmarem os seus lugares próprios na produção de banda desenhada nacional.

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Neste primeiro número colaboram Amanda Baeza, Anna Bouza da Costa, Cecília Silveira, Carolina Moreira, Daniel Lima (capa), Dileydi Florez, Francisco Sousa Lobo, Gonçalo Duarte, Igor Baptista, João Carola, João Silva, Luana Saldanha, Martina Manyà, Mathieu Fleury, Pedro Moura (como argumentista e crítico), Rafael SantosRodolfo Mariano, Sara Boiça, Simão SimõesStephane Galtier, colectivo Triciclo e Vasco Ruivo.

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Lançamento oficial: 27 de Fevereiro, na Ar.Co, em Xabregas, às 18h30 
com presença especial de Francisco Sousa Lobo que lança também o seu livro Master Song, 65º volume da colecção mini kuš! (da Letónia).

Livro à venda na loja em linha da Chili Com Carne e nas livrarias Linha de Sombra, Tigre de Papel,... e brevemente na Mundo Fantasma, Artes & Letras...

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Feedback  já li o Pentângulo, o que me bateu mais foi a bd da Cecília [Silveira] Churrascão tupinamba tá foda sim! o Rodolfo Mariano não desenha bds, na verdade o que ele faz é abrir portais cósmicos para outras dimensões, gosto bastante do imaginário que construiu e da ideia de a morte ter andado com o tempo ao colo. Também curti especialmente da parte do João Carola sobre abstraccionismo, e acho a primeira página do Nada fixe [da Luana Saldanha] muito muito fixe. A segunda também 'tá fixe mas a primeira 'tá demais. não sei quem é o João Silva mas granda maluco, faz me lembrar algumas bds portuguesas que lia em fanzines nos anos 90... será? e claro as duas ultimas bds [de Stephane Galtier e Francisco Sousa Lobo] estão um mimo. David Campos (por email)

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Outside with the cuties @ Orbital Comics



Reading Pita's work is like having one of those dreams where everything is totally normal and completely surreal at the same time. Secretive and sweet, the comics shift with uncertainty driven by the movement of the drawing. A mysterious force is at work! 
Disa Wallander

Mariana Pita turns the ordinary into the extraordinary. Her stories are about small adventures and days at the beach where familiar situations and characters get mixed up with strange and unexpected details. Outside with the Cuties is like a dream that twists memories from past summers. 
Joana Estrela 

Mariana Pita makes drawings, paintings, comics, music, and animation. She has been developing some incredible work in the last few years, followed by a small but enthusiastic group of people. Her comics may look cheerful and lighthearted at first sight but her characters and narratives are often quite deep and odd, sometimes even dark. 

OUTSIDE WITH THE CUTIES is an attempt to present Mariana Pita's best work to a bigger audience. It collects comics produced from 2013 to 2017 originally published in various outlets as well as several unpublished works.


Co-published with O Panda Gordo and support of IPDJ



  • 112 pages, 
  • 17,30x24,3 cm 
  • offset printing, 
  • hardcover, 
  • all content in English and Portuguese


  • Buy at Chili Com Carne online shop, O Panda Gordo (UK), Quimby's (USA), Neurotitan (Germany), Ugra Press (Brazil), Desert Island (New York), Orbital Comics (London)...





    MUSCLECHOO - SIDE STORY FILE 001 - TRUMP CARD @ Orbital Comics (UK)



    After finding an underwater base at Water Moon Sigma 14-B, Musclechoo goes inside and loses contact with Iris and then it starts to get really weird…

    Musclechoo makes a comeback on a new book drawn between August 2014 and December 2016. For fans of Fort ThunderGhost in the Shell and Trading Card Games.
    80 pages. 16x21cm. Offset printing. Perfect bound. 333 copies. Co-published by Chili Com Carne and Ruru ComixSupported by IPDJ.


    Feedback: 
    Se (...) Livros de bonecos é que é a vossa cena. Pois bem, não percas tempo. A Chili Com Carne acaba de editar a nova BD de Rudolfo, Trump Card. É o primeiro livro a solo do autor e nele encontram a sua personagem fétiche, Musclechoo, embrenhado numa aventura bem esquisitinha. Como vocês gostam. Ambos os dois. Seus tarados!Vice Portugal 
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    I already read Musclechoo and liked it. Actually I loved drawings and characters in it. Do you have any idea is it possible to find earlier zines? (...) there is some kind of collection coming but still. I fancy to own those original zines. They are looking really good in photos google found. - Marko Turunen
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    Trump card was some good shit indeed... A total teenage action comic fantasy. The violent/gore bits are the best, for real. Those stiff action panels are awesome. Idk if that was the idea, but those moments felt a lot like Prison Pit. - Héctor Cimbrón ...
    Trump Card ganha uma desenvoltura diferente (...) foi totalmente improvisado na sua “escrita” e “desenho preparatório” (...) uma espécie de mistura de Magic the Gathering, Pokemon, MMORPGs e sabe Deus Nosso Senhor mais o quê numa sopa tão pouco credível como certamente satírica. Com efeito, é difícil não ver em Trump Card um exercício de deboche sarcástico em torno de toda uma linha de cultura popular, de Star Trek a novos jogos digitais, mas ao mesmo tempo mostrando algum gosto por essa mesma cultura. (...) Apesar do título ter tudo a ver como o jogo de cartas, e aparecer uma espécie de “tirano sapo” obcecado com sexo, não deixa de haver uma ideia de explorar a actualidade política internacional. Mas ir por aí é como patinar num sabão em chão de mármore. Todo o cuidado é pouco e equilíbrio, nenhum. Uma espécie de Image dos pobres, em que a verve daquela editora norte-americana em revisitar e revitalizar toda uma série de géneros clássicos, mas com os instrumentos imediatos e de pêlo da venta do punk (8-bit breakcore, entenda-se) zinesco, Musclechoo deve estar mesmo para ficar. Deus nos acuda. - Pedro Moura - Ler BD
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    Nomeado para Melhor Álbum de autor português em língua estrangeira pela BD Amadora 2017
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    quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

    FEARLESS COLORS - O "comix remix" de Samplerman será lançado em Lisboa no dia 16 de Março com a presença do autor!

    A BD demorou 40 anos a chegar ao automatismo (obrigado Robert Crumb e Moebius por terem tomado drogas!), ”andou às aranhas” com a autobiografia ou à auto-representação do autor, jornalismo, ensaio e crónica e uma eternidade no que diz ao respeito institucional. Não podemos ficar de fora, não podemos deixar que os DJs roubem todo o bolo! Preparem lá essa tesoura e cola! Melhor ainda… saquem lá o Photoshop! 

    É um pássaro?
    É um avião? 
    Não! 
    É o Samplerman!!!

    Ladrão que rouba ladrão, mil anos de perdão!



    Formato A5. 100 páginas, Quatro cores. Capa mole com verniz localizado
    Uma co-edição da MMMNNNRRRG com Kuš! e Ediciones Valientes




    FEARLESS COLORS compila algumas das melhores páginas de BD que Samplerman produziu entre 2012 e 2015. Pode-se dizer que elas fazem homenagem aos "comic-books" norte-americanos dos anos 40 e 50, sendo misturados tal como uma viagem de um DJ a realizar o que Marcos Farrajota intitulou de "Comix Remix" - artigo escrito originalmente para o jornal finlandês Kuti e entretanto acessível em várias línguas: português no blogue da Chili Com Carne, em francês no livro Metakatz, alemão no sítio Drei Mal Alles e em sueco na revista Sekvenser.

    Atravessando géneros clássicos como o romance cor-de-rosa, o policial, a ficção científica e o terror, algumas das páginas tanto se identifica excertos de Fletcher Hanks como o "Samplerman original": Ray Yoshida. Violência, acção, disparos, naves espaciais, micróbios e bactérias, corpos mutilados são remontados numa colagem fractal que nos possibilitam novas formas de narrativas e leituras. 

    Por detrás de um super-heróis há sempre o alterego. Neste caso de Samplerman esconde-se o desenhador francês Yvang. Começou com a experiência Samplerman em 2012 através do tumblr ZDND (La Zone De Non-Droit) juntamente com o irrequieto Leo Quievreux, tendo contaminado a web desde então. Participou em várias publicações como a š! (Letónia), Off Life, Smoke Signal, Ink Brick, Lagon, The Village Voice e Scratches. A solo sairam os seguintes livros: Street Fights Comics (ed. de Autor, 2016), Miscomocs Comics (Le Dernier Cri, 2017), Samplerman (Secret Headquarters, 2017) e ilustrou ao LP colectênea Intrepid Curves #18 da Vinyl Moon. 



    FEARLESS COLORS é o livro que colecciona a maior parte do seu trabalho. 
    Vai dar que falar!!!

    Para já foi seleccionada a Bedeteca Ideal



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    Disponível na loja em linha da Chili Com Carne e na Artes & Letras, BdMania, Letra Livre, Mundo Fantasma, Nova Livraria Francesa (de onde se espera fazer um lançamento oficial a 16 de Março com a presença do autor), Pó dos Livros, Tasca Mastai, Kingpin Books, Matéria Prima, Archi Books (livraria da Fac. de Arquitectura de Lisboa), Utopia, LAC e Bertrand.




    Imagine a Jim Woodring comic, without the characters to get in the way of the experience of it. That’s what he summons in his pages. So allow yourself to get lost in these pictures. (...) Reading Fearless Colors is like taking a weird acid trip through comics as images fall apart and melt down in front of you, recombining with different images to form brand new comic pages. Samplerman’s collages take existing art and make new art out of the old, and creates comic pages that you just want to get lost in, exploring the smallest details even while wanting to pull out and see how those details collapse into a complete comic experience.

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    I Like Your Art Much / últimos 7 exemplares em Portugal


    Francisco Sousa Lobo fez um livro de banda desenhada sobre o trabalho de Hugo Canoilas
    Chama-se I Like Your Art Much, é um trabalho singular de simbiose entre banda desenhada e artes plásticas, tem 44 páginas, e foi lançado em Dundee (Escócia) no dia 5 de Março de 2015 na sala principal da Cooper Gallery
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    As galerias de Hugo Canoilas, a Associação Chili Com Carne e a Universidade de Goldsmiths apoiam o projecto
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    O projecto foi seleccionado pela Bloomberg New Cotemporaries - De mais de 1600 candidaturas de alunos das escolas de arte do Reino Unido, o júri dos Bloomberg New Contemporaries escolheu 37 artistas. O júri é composto por Simon Starling, Jessie Flood-Paddock e Hurvin Anderson. Os artistas escolhidos são ora estudantes ora recém formados de cursos de artes plásticas.

    Normalmente não são aceites candidaturas de artes gráficas, comunicação ou ilustração e BD. I LIke Your Art Much é uma excepção. A exposição esteve patente em várias galerias de Nottingham e ao Institute of Contemporary Art, em Londres.
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    Vieram 78 exemplares para Portugal deste livro redigido em inglês
    acessíveis EXCLUSIVAMENTE no site da Chili Com Carne
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    Francisco Sousa Lobo has a new comic book coming out, on the work of artist Hugo Canoilas
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    It's called I Like Your Art Much, it's in English and printed in the UK, has 44 pages, and was released on the 5th of March 2015 at the Cooper Galley in Dundee, Scotland, with an exhibition - both exhibition and book form a singular symbiosis between comics and fine art
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    Hugo Canoilas' galleries, Goldsmiths University of London and Associação Chili Com Carne supported the project.

    Como ser sócio da Associação Chili Com Carne?

    O regime de sócios da Associação Chili Com Carne passa pelo pagamento de uma jóia no valor de 30€ (15€ para menores de 30 anos) e o envio dos seguintes dados para o nosso e-mail: ccc@chilicomcarne.com

    _nome
    _data de nascimento
    _morada
    _tlm
    _e-mail
    _www
    _fotografia (um jpg qualquer para fazer o cartão de sócio)

    O valor da quota deve ser depositado na conta do seguinte EBAN: PT50003502160005361343153 (swift / bic: CGDIPTPL); ou através de paypal.

    Quais as regalias de ser sócio da CCC?
    _Oferta do livro O Subtraído à Vista, um livro de Filipe Felizardo;
    _30% de desconto sobre as edições da CCC;
    _30% de desconto sobre as edições da MMMNNNRRRG;
    _Desconto sobre outras edições presentes no catálogo online da CCC;
    _informação em primeira mão de projectos da CCC;
    _apoio a projectos editoriais*.
    _descontos no uso do projector de vídeo.


    E depois disto?
    Passado um ano há um quota a pagar de 10€ e ainda recebe um exemplar d'O Andar de Cima de Francisco Sousa Lobo!



    * Apoio a projectos editoriais Ao longo do tempo a CCC tem vindo a definir de forma mais precisa qual a vertente de actividades para a qual está mais vocacionada, sendo que a edição em suporte de papel tem sido aquela que a CCC melhor tem sabido gerir. Os sócios da CCC com projectos editoriais poderão solicitar o apoio no campo da produção, distribuição e promoção. A selecção de projectos será discutida consoante cada caso. Sendo que seja imperativo ler este MANUAL!

    quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

    A Segunda Vida de Djon de Nha Bia / ESGOTADO



    Este livro de Nuno Rebocho é uma obra maior da literatura lusófona. É uma grande alegoria das relações de poder entre os homens. A narrativa passa-se num arquipélago imaginário, onde de tudo um pouco acontece. É uma obra que, além de muito divertida, tem um conteúdo político (no sentido nobre, aristotélico, da palavra) muito agudo. Além disso, sendo escrita num português de latitudes mais quentes, é uma lufada fresca de palavras e expressões novas. Um grande livro, sem dúvida!

    sobre o autor: Nuno Rebocho nasceu em 1945; opositor do salazarismo, foi jornalista e interventor cultural antes e depois do 25 de Abril. Foi jornalista na RDP, Antena 1 e 2, durante muitos anos. Recentemente passou a viver em Cabo Verde, enraízando-se nesse arquipélago lusófono. Publicou vários livros de poesia e de crónicas. Ultimamente tem desenvolvido uma poderosa linha narrativa em que o Djon é um dos primeiros títulos a ser revelado ao público.

    Sinopse O livro conta as aventuras de um tipo que sai para fora do caixão no seu próprio velório. Desse acontecimento só há uma testemunha meio bêbeda. A partir daí, o herói desta espécie de fábula irá percorrer a sua ilha, primeiro, e outras ilhas em busca do sentido de estar morto. Nessas ilhas acontece de tudo um pouco: os mortos votam nas eleições, o diabo aparece, há um doutor que faz chantagem e até uma das ilhas tem um rei. Enquanto o herói percorre as ilhas, na sua ilha de origem desenvolve-se todo um culto em torno da sua figura ressuscitada, com templos, restaurantes, e todo um conjunto de actividades económicas associadas ao fenómeno de um local sagrado.

    Excerto Quando a carapinha lhe emergiu do caixão, Djon percebeu que estava morto. Fora da sala era a rua e de lá vinha a batida da tabanka, oca e ondeada, e uma voz narradora que entretinha a comezaina aconchegante do velório. Família e demais abancavam no terreiro, digerindo a noite antecedente ao funeral, que seria pela manhã.

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    Nono volume da Colecção CCC editado por Marcos Farrajota e Rafael Dionísio, prefácio de Luíz Carlos Amorim, capa de Jucifer, design de João Cunha, ISBN: 978-989-8363-01-5
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    ESGOTADO
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    E-BOOK: todoebook.com
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    Historial: Lançado na XVI Feira Laica ... Apresentação pelo Prof. Dr. Luis Filipe Tavares (Universidade Piaget) na Cidade da Praia, Cabo Verde (08/07/10) ... Apresentação por Rafael Dionísio no Centro Interculturacidade (16/09/19)
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    Feedback: 

    primeiro romance da autoria de Nuno Rebocho, escritor português radicado em Cabo Verde. Trata-se de estória salgada de crioulidade, onde o mágico e as driabruras se entrecruzam em artimanhas que envolvem mortos ressuscitados em revolta e o derrube de poderes vivos, santos sem vocação, fundamentalistas irredentos e muita tropelia que fez a vivência de um país chamado Arquipélago, igual a tantos arquipélagos que são países e a países que são, por isso mesmo, arquipélagos. Com humor e ironia, o autor traduz o insólito como realidade, mas onde quaisquer semelhanças com realidades conhecidas são mal-deliberadas coincidências, numa escrita colorida e cáustica para o novo acordo ortográfico adoptado pelos países lusófonos. 
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    alegoria política de quem quem quer ajustar contas com o mundo, como "Animal Farm", de Orwell, ou "Aventuras de João Sem Medo", de José Gomes Ferreira. Os Meus Livros

    terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

    Cancer / melhores de 2017 segundo EXPRESSO / 5 Estrelas @ Bertrand


    CANCER
    de / by
    Tilda Markström

    publicado / published by
    MMMNNNRRRG

    112p. 4 cores, 21,5x27 cm ao baixo, capa dura 4 cores / 128 p. 4 colours print, 21,5x27cm hardcover book
    500 exemplares / 500 copies
    Livro de desenho com textos em bilingue (português / inglês) / Picture book in portuguese and English





    Tilda Markström (1923 – 2012) Nasceu em Ystad, Sul da Suécia. 1955. Acaba o curso de Pintura na Escola Superior de Belas Artes de Estocolmo. 1960. Frequenta a FOTOSKOLAN, Escola de Fotografia de Estocolmo (fundada e dirigida pelo Mestre Christer Strömholm). 1965. Viagens (Europa e Estados Unidos). 1968 a 1973. Reside em Londres. Primeiras exposições. 1974. Regressa à Suécia e passa a viver em Estocolmo. Realiza exposições de Pintura, Fotografia, ilustra livros, escreve para jornais e revistas culturais. 1996. Fixa residência em Ystad embora mantenha a casa de Estocolmo. / Born in Ystad, Southern Sweden. 1955. Graduated in painting in the School of Fine Arts in Stockholm. 1960. Attended FOTOSKOLAN, Stockholm School of Phtography (founded and directed by Christer Strömholm). 1965. Trips (Europe and United States). 1968 to 1973. Lived in London. First exhibitions. 1974. Back to Sweden, went to live in Stockholm. Held painting and photography exhibitions, illustrated books, wrote for newspapers and cultural magazines. 1996. Settled in Ystad,but kept her house in Stockholm.

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    à venda na loja em linha da Chili Com Carne e na Linha de Sombra (Cinemateca de Lisboa), Tasca Mastai, Mundo Fantasma (Porto), Matéria Prima (Porto), Artes & Letras, LAC, Blau (Fa. Arquitectura de Lx), Pó dos Livros e Bertrand.

    BUY @ Chili Com Carne online shop or Desert Island (NY)


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    Há temas mais duros e difíceis do que outros. Há mesmo temas que não sabemos sequer como começar a abordar; ou como reagir se outros os abordam, sobretudo quando os abordam de forma simultaneamente crua e inteligente. Mas há também um preço a pagar pelo silêncio, pelo arrumar de problemas onde (esperemos) não nos assombrem. 
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    Escolhas de 2017 
    Expresso
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    Assinado por uma pintora e ilustradora sueca, já falecida, Cancer compõe uma narrativa visual, dolorosa e comovente, sobre uma mulher que sofre de cancro da mama. A narrativa, intuímos no final do livro, é criada pela sua companheira, a própria Tilda Markström, num tom objectivo, atento aos gestos do quotidiano e profundamente dilacerado. (...) Este será um livro sobre o cancro, mas não há aqui pedagogia ou avisos sobre a saúde e o que fazer com ela. Este é, portanto, um livro sobre o amor e a morte, talvez os únicos temas que nos atormentam com eficácia desde sempre sem que nada altere a necessidade de a eles regressar. Que Tilda Markström seja um heterónimo numa constelação de autores inventados por um pintor e ilustrador português nada acrescenta à leitura de um livro tão avassalador — e tão profundamente belo — como este.
    Sara Figueiredo Costa in Blimunda
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    (...) este livro vem corajosamente provar que a arte pode às vezes ter a última palavra.
    5 estrelas
    Manuel de Freitas in Expresso
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    Se tivesse de destacar um livro ilustrado (para adultos), optaria pelo terrível Cancer, de Tilda Markström (na verdade Tiago Manuel), e pelo modo como alguém consegue lidar gráfica e visualmente com uma memória íntima terrível, uma história pessoal marcada pela perda. Não deixe de conhecer este livro, de indesmentível qualidade estética e humana.
    José António Gomes in Abril a Abril
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    Mesmo cuidadosamente envelopado, como só ele sabe, o mais recente volume da obra polimórfica do mano Tiago [Manuel], no caso atribuído à sueca Tilda Markström, tem uma mossa na capa e nos primeiros cadernos. Uma marca que logo interrompem a circulação de azul em torno da palavra-título: Cancer (ed. Mmmnnnrrrg). Impossível não ver nisto um sinal, uma semiótica dos acasos. A viagem marcou-o. Uma cicatriz, portanto. Com uma força extraordinária, aliás comum nos seus trabalhos, o Tiago desenvolve o álbum em sucessão de imagens que obedecem a perspectiva única: um alto pode-se tornar o ponto, o cerne que nos muda a textura do corpo e do mundo. O entorno vai ganhando texturas e padrões, os mamilos e as veias transfiguram-se na linguagem que nos rodeia, que nos cerca, que nos atrai a rede cada vez mais apertada, cenário no qual tudo diz e é sinal da morte. Sem palavras, sem nunca dizer cancro em português, língua que tem por costume evitá-la, substituí-la, coisificá-la. As linhas da cicatriz transfiguraram-se em rarefeito contorno onde acomodar as sombras que a doença ainda permite. No fecho, três textos curtos, páginas arrancadas a um diário. «Já não é possível voltar ao paraíso de onde fui expulsa pela morte». Dolorosíssimo testemunho em carne viva de um íntimo processo, viagem que a todos nos toca, tocou, tocará.
    João Paulo Cotrim Macau Hoje
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    Edição bilingue, português-inglês, de um livro ilustrado assinado por uma artista sueca e compondo uma narrativa sobre uma mulher, a companheira da autora, que sofre de cancro da mama. Sem pedagogias, Cancer é um livro belo e avassalador sobre o amor e a morte, mas também sobre a memória e o modo como esta nos constrói. 
    Sara Figueiredo Costa in Parágrafo
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    segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

    Retratos @ Printed Matter


    Retratos
    de

    É o 41º Volume das edições MMMNNNRRRG / The Inspector Cheese AdventuresO design é de Jorge SilvaTem uma dimensão extravagante, em jeito de A3. 29,5 x 41 cm.

    Grande e pleno, com 11 retratos onde o pastel não teme sujar o papel. Retratos como eram os dos reis, do clero; mais tarde dos ricos comerciantes e burgueses; depois do povo, dos vizinhos, da família… André Ruivo preenche o olhar do leitor com a expressão celular do pastel de óleo. Obriga-nos a ver a pele das páginas, completa-nos a interpretação dessa coisa inusitada que é olhar o olhar dos outros pela luz da criatividade. E, estranhamente, fá-lo de um modo «clássico». 

    É Grande e Colorido!

    O mais recente livro de André Ruivo, uma edição da MMMNNNRRRG com a colaboração da The Inspector Cheese Adventures, é uma publicação A3, sem informação na capa quanto ao título ou ao autor, que promete criar incómodo entre os livreiros menos dados a formatos não normalizados. Sem ironia, o formato cumpre aquele que parece ser o desígnio principal deste livro, o de colocar o leitor frente a frente com uma galeria de personagens que perscrutam e se deixam perscrutar, uma espécie de janela para os rostos de outros que acaba por transformar-se em espelho da nossa vontade de conhecer quem nos vê e, nesse gesto, de nos conhecermos um pouco a nós. 
    Se todos somos muitos e diferentes eus ao longo da vida (ao longo de um dia?), estes Retratos são um desfile de rostos que tanto podem ser galeria como reflexos múltiplos de uma só identidade. 

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    à venda na loja virtual da Chili Com Carne e na Pó dos Livros, Linha de Sombra, Nova Livraria Francesa, Artes & Letras, Matéria Prima, Blau (Fac. Arquitectura de Lx), Tigre de Papel e Mundo Fantasma

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    A ser lançado oficialmente na STET, Lisboa, em breve, esperemos...
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    há 300 exemplares apenas
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    The format is incredible, beautiful object.
    Jean-Christophe Menu dixit



    Sobre o autor:

    Nasceu em 1977 em Lisboa onde reside. Licenciado em Design de Comunicação pela FBAUL. Colaborou como ilustrador para o Público, O Independente, Combate, Visão, Ler e Op. Tirou Mestrado em Cinema de Animação pelo Royal College of Art em Londres, Inglaterra (Bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian) e realizou os filmes A Fantasista (2003), Art (2005), A First year Film (2005), A Second year Film (2006), Januário e a Guerra (2008), It´s Moving (2010), O Dilúvio (2011), O Campo à Beira Mar (2014) e O Circo (2017).

    Como músico é mais conhecido pela banda Rollana Beat e editou dois discos a solo. Editou o fanzine Camaleão (1993), participou nas CriCa Ilustrada com ilustração e BD, fez a capa de Algumas Pessoas Depois (de Rafael Dionísio) e participou no Futuro Primitivo com BD e música.
    No dia 1 de Abril 2012 foi lançado o livro Mistery Park, um caderno de desenhos realizados em Londres em 2006, pela Chili Com Carne e The Inspector Cheese Adventures. Em 2017 saiu o Break Dance pela MMMNNNRRRG.

    Bibliografia: Sleuth Hound Song = A canção do cão raivoso (colecção 7", The Inspector Cheese Adventures; 1998), Bug (col. Imagens de Bolso; Bedeteca de Lisboa; 2001), Biblioteca (The Inspector Cheese Adventures; 2011), Mystery Park (colecção CCC, Chili Com Carne + The Inspector Cheese Adventures; 2012), Gangsters (The Inspector Cheese Adventures, 2012), Há uma altura do dia (The Inspector Cheese Adventures; 2014), Breakdance (MMMNNNRRRG + The Inspector Cheese Adventures; 2015), Holland Park, Denmark Street (TICA; 2017), Retratos (MMMNNNRRRG + The Inspector Cheese Adventures; 2017),... colectivos: Ilustração Portuguesa (Bedeteca de Lisboa; 1998-2004), Mis primeras 80.000 palabras (Media Vaca; 2002), Futuro Primitivo (colecção CCC, Chili Com Carne; 2011), Bienal de Iustração de Guimarães (C.M. Guimarães; 2017).

    quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

    Ops! 250 sócios...



    E entretanto fizemos 250 sócios...
    E vamos oferecer ao nº250 aka Alek Rein aka Oriano aka Alexandre Rendeiro 250 paus em livros...
    E quem quiser ser sócio é só clicar aqui...
    E ler isto...
    E é isso...

    quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

    Os 500 paus de 2017 - DOR



    Os cinco membros do Juri desta edição do concurso interno da CCC, Toma lá 500 paus e faz uma BD já decidiram sobre o projecto vencedor!

    O projecto vencedor é Dor, uma antologia de BD com as participações de doze autoras: Bárbara Lopes, Cecília Silveira, Dileydi Florez, Hetamoé, Inês Caria, Inês Cóias, Marta Monteiro, Mosi, Patrícia Guimarães, Sara Figueiredo Costa, Sílvia Rodrigues e Susa Monteiro. Será um livro de 104 páginas a sair neste primeiro semestre de 2018 na Colecção CCC.

    Segundo a sinopse do projecto de Dileydi Florez, coordenadora do projecto:
    No nosso imaginário a Dor pertence ao campo físico, neste pensamento associamos sempre o nosso corpo a um estado de dor físico e facilmente nós esquecemos que existem vários níveis de dor, entre eles, a dor emocional/ psicológica, que por sua vez, ocupa o mesmo peso que a dor sentida fisicamente. 

    Assim, partindo da vontade de trabalhar a plasticidade da temática da dor e de querer perceber os vários entendimentos ao seu respeito, foram convidadas 10 artistas e 1 escritora, que partilham a paixão pelo desenho, a banda desenhada e a ilustração, para que através do seu olhar e desenho/ escrita, reflectissem sobre a dor. 

    Ao longo da antologia, será perceptível que cada artista tento tido como ponto de partida a temática geral da dor, escolheu desenvolver graficamente uma dor específica: do parto, do confronto com o outro, dor menstrual, de amar, da solidão, de esconder a dor, da ausência, do luto, do crescimento, de alma...

    Foram entregues apenas seis propostas, a mais pequena participação de sempre desde que começamos a promover este concurso em 2013, apesar de ter sido a maior ao nível de quantidade de participantes (31 autores) - como seria óbvio uma vez que este ano pedimos para serem entregues propostas de antologias de BD.

    Das seis propostas, só três foram aceites a concurso porque a malta em 2018 não sabe o que significa "antologia". Eis um momento pedagógico em menos de um minuto: Antologia 1. colecção escolhida de trechos em prosa e/ ou verso do mesmo ou de diferentes autores; selecta 2. estudo das flores 3. colecção de flores; florilégio [in Infopédia]

    Das três propostas, todas elas eram potenciais vencedoras da edição deste concurso, tendo vencido a Dor por maioria de um Júri... bastante dividido mas Dor no geral pareceu-nos bem coordenado e bem pensada enquanto uma antologia que possa ser interessante para todos, com histórias autobiográficas e outras com uma poética mais subjectiva.

    Também pesou o facto de ser livro de autoras de BD, que têm menos visibilidade no mercado nacional para discussão politica, emocional e social em Banda Desenhada. Esta antologia apesar de ter uma estrutura temática comum não cairá na repetição de uma única narrativa. Será uma bela colecção de flores, sem dúvida, como aliás acontece sempre nas outras antologias da Chili Com Carne.

    Curiosamente e historicamente esta poderá ser a primeira antologia de autoras coordenado exclusivamente por autoras. Isto é, apesar de alguns números especiais de revistas, fanzines ou livros de "BDs no feminino" que apareceram nos anos 90 (G.A.S.P. ou Azul BD3) e no novo milénio (Allgirl'zine e QCDA #2000) estas publicações não foram organizadas pelas próprias autoras como acontece no presente projecto vencedor.

    Ficam aqui algumas páginas:

    A Associação Chili Com Carne agradece a todos os sócios que participaram nesta iniciativa, em especial aos que pagaram a sua quota anual e permitiram o prémio monetário - há mais de dois anos que as quotas anuais dos sócios tem como objectivo financiar o concurso "Toma lá 500 paus!" invés de serem apenas um mero "investimento" para o consumo das nossas publicações.

    Esta iniciativa tem o apoio do IPDJ e relembramos que graças a este concurso foram já publicados quatro livros, a saber: O Cuidado dos Pássaros / The Care of Birds (vencedor de 2013) de Francisco Sousa Lobo, Askar, O General de Dileydi FlorezO Subtraído à Vista de Filipe Felizardo e Acedia (vencedor de 2015) de André Coelho.

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    Sobre as autoras: Há autoras (re)conhecidas como a Marta Monteiro ou a Susa Monteiro, há a jornalista Sara Figueiredo Costa que a lemos no Expresso ou na Blimunda, há autoras que estão a começar e outras que andam cá há algum tempo mas afastadas do olho público... Dada a grande quantidade de autoras neste de Dor não iremos agora aborrecer os leitores com biografias e links. Esperem para quando sair o livro! Até lá podemos constatar que a maioria delas já participaram em vários livros nossos. Nas antologias MASSIVE (2009), Destruição ou BDs sobre como foi horrível viver entre 2001 e 2010 (2010), Boring Europa (2011), Futuro Primitivo (2011), Mesinha de Cabeceira #23 : Inverno (2012), QCDA #2000 (2014), Malmö Kebab Party (2015), QCDI #3000 (2015), Maga : Colecção de ensaios sobre Banda Desenhada e afins (2015), Lisboa é very very Typical (2015) e na recente revista com a Escola Ar.Co., Pentângulo, cujo primeiro número sairá a 27 de Fevereiro. A Hetamoé também participou com ilustrações no livro Anarco-Queer? Queercore! (2016) de Rui Eduardo Paes; e a solo temos Askar, o General (2015) de Dileydi Florez.

    Berlim : Cidade Sem Sombras de Tiago Baptista / excelente crítica no Le Monde Diplomatique (pt) e pelo Francisco Sousa Lobo


    BERLIM
    Cidade sem Sombras
    de

    1 residência artística / 1 artista sem luz / 3 meses de frio / alguns encontros / algumas considerações e até um sonho!


    Entre Fevereiro e Abril de 2013, Tiago Baptista (Leiria, 1986) participou na residência artística Culturia em Berlim. Esse Inverno foi o menos luminoso em décadas e isso ressentiu-se na sua estadia, nos seus hábitos, nas suas impressões sobre a cidade, no seu trabalho e agora no resultado deste livro.

    Segundo o autor: «aqueles meses sem sombras foram como um bloco monolítico de tempo que parecia não passar. Era como se o tempo tivesse ficado suspenso, como se não passasse porque aparentemente a luz também ela não se movia. Tentei que este livro falasse sobre essa falta de luz e também sobre a falha da memória. De facto, parece-me que o que guardamos são falsas memórias.»

    Este é um livro sobre fantasmas. Fantasmas de memórias e de uma cidade que já não existe, de um sistema que desapareceu mas que está ainda tão presente, nos edifícios, na História, no turismo, nas pessoas...


    Disponível na loja virtual da CCC e na BdMania, Letra Livre, Tasca Mastai, Pó dos Livros, Artes & LetrasPalavra de Viajante, Mundo Fantasma, Tigre de Papel, Kingpin BooksLinha de Sombra, Bertrand, LAC, Gateway City Comics, FNAC... Depois de tomar Portugal vai a caminho de Berlim, um bocado como a letra do Leonard Cohen! Sim, chegou à Neurotitan!





    O autor licenciou-se em 2008 em Artes Plásticas na ESAD nas Caldas da Rainha onde começou a publicar várias publicações em 2005 sob o nome de Façam Fanzines e Cuspam Martelos. Como artista plástico o seu trabalho é reconhecido por vários prémios (Amadeo de Souza-Cardoso 2015 e Fidelidade Mundial Jovens Pintores 2009) e exposições em várias galerias e instituições como Palácio Vila Flor (Guimarães), Sala de Arte Joven (Madrid), Galeria 3+1, Fundação EDP, João Cocteau (Berlim), ZDB, Museu-Colecção Berardo. A sua bibliografia inclui Fábricas, baldios, fé e pedras tiradas à lama (Oficina do Cego + a9)))); 2012), Stalker (Ao Norte; 2015), Imagem Viagem (Bedeteca de Beja; 2016) e o livro colectivo desta mesma colecção, Zona de Desconforto (2014) onde foram publicados alguns episódios do presente volume. Foi o vencedor do Toma lá 500 paus e faz uma BD! (2016) com um livro a publicar em 2018 sobre a Greve Geral de 18 de Janeiro de 1934.

    Historial: 

    Apresentação na ZDB, no dia 9 de Novembro de 2017 com apresentação de Joana Miguel Almeida ... 


    feedback:

    (...) regressando à ideia desta mesma série de livros de dar a ver uma certa ideia de trânsito mas desprendida totalmente das mais usuais linhas da “literatura de viagens” e muito menos associada ao “encómio do turismo”. O objectivo deste livro, afinal, não é conhecer a cidade de Berlim, nem tampouco compreender “as experiência de Tiago Baptista em Berlim”, mas antes compreender como é que essa experiência se abre a toda uma série de interrogações de identidade própria, alheia, global, cultural e política. Baptista não envereda jamais num discurso directamente panfletário, como dissemos, preferindo ou um certo grau de ambiguidade ou deixar que os não-ditos se instalem de modo suficiente a obrigar o leitor a instalar-se nos interstícios do que se assinala como silêncio, esquecimento, precariedade, miséria, e também consciência. São marcantes sobretudo os relatos de Jenin e Maranda, ambos mostrando locais em que o autor-protagonista come e vai ao encontro não somente da pessoa que ali trabalha (respectivamente, um palestiniano da Cisjordânia e um português de Tondela) como nesse diálogo compreende a distância da sua experiência com a dessas outras pessoas, assinalando não somente mecanismos de empatia como de auto-compreensão de um certo privilégio.

    Ao contrário de livros que pretendem fechar um sentido e dar ao leitor uma sensação de equilíbrio humanista, em que uma suposta utopia de grande família seria possível, Baptista quer mostrar a aguda distância que separa cada ser humano, nos seus mundos específicos, assim como a rugosa textura do próprio mundo, ou do pouco mundo, que se consegue estabelecer como comum. (...)

    (...) é espetacular!
    Goran Titol

    Este livro de pequenas narrativas evoca os três meses que o Tiago passou em Berlim, no contexto de uma residência artística no ano de 2013. Digo “evoca” porque este livro não parte de um diário gráfico utilizado na altura, mas de um registo de memória a posteriori, com todas as hesitações e incertezas que invariavelmente temos ao lembrar uma história que já se passou há meses ou anos. Essas dúvidas – que o Tiago assume – traduzem-se em falas rasuradas, em personagens sem expressão, sem cara. Em desenhos que às vezes são pintados digitalmente e outros numa aguarela fluída quase onírica. Admitindo que as suas recordações se dissolveram no tempo, reflecte também, uma vez que está em Berlim, sobre o lugar da memória cultural: afinal, do que nos lembramos nós? O que é que lembramos e o que é deixamos esquecer? Quem é que merece ser lembrado e esquecido?
    Joana Miguel Almeida in apresentação oficial na ZDB

    Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal

     Histórias e visões que se cruzam com ideias, debates, explicações e expressões da própria experiência criativa, que fazem desta mais uma recomendável incursão por uma cidade que não deixa ninguém indiferente. Eu talvez não partilhe do mesmo aparente encantamento do autor por algumas memórias da RDA (que me parecem mais coisa de pesadelo do que de sonho), mas não é por aí que possa perder viço este belo conjunto de retratos e experiências berlinenses. Pelo contrário, é ao sentirmos que olhamos e sentimos a cidade por quem a comenta com textos e desenhos que vivemos, entre as páginas deste livro a força que tem a verdade de um retrato de autor. Que nos conduz através de fragmentos de experiências e reflexões, num conjunto que não quer contar uma história, mas, antes, falar-nos de um lugar e do modo como cada um o habita à sua maneira.

    Nuno Galopim in Máquina de Escrever

    (...) esta obra traz engatilhada uma reapropriação subversiva das imagens construídas e sedimentadas sobre a cidade de Berlim. (...) Tiago Baptista procede por uma desconstrução da paisagem urbana com que se depara na sua residência artística de três meses nessa cidade. Temos oportunidade de ver desenrolar-se diante dos nossos olhos, nas distintas camadas da ilustração e das legendas, uma estratégia de recuperação do passado que não procura mimetizá-lo ou instruir-nos pedagogicamente a seu respeito. O passado é perseguido, trazido para fora dos esconderijos em que se acoita, revisto pelo prisma da memória. Nesta espécie de incursão detectivesca pelo passado, e por histórias de sangue e crime muitas vezes, Tiago Baptista encontra pistas espalhadas pela cidade: indícios de passado disfarçados de cenário que se tornam subitamente incómodos quando desafiam a percepção inocente da vida de todos os dias. As cidades não são virgens. São monstros, criaturas que reúnem em si atributos aparentemente opostos. (...)
    Bruno Monteiro in Le Monde Diplomatique (pt)

    A propósito de Berlim lembrei-me de como a memória é um conceito tão brandido em Portugal, mas ninguém se preocupa muito em analisar o que isso possa ser. Berlim de Tiago Baptista é por isso mesmo ultra inesperado, preciso e aberto como um poema de Paul Celan. Lá dizia o poeta que o bom poema é aquele que não se desvanece no significado. Este livro e Santa Camarão são como esse poema de que fala o Paul Valery. Resistem, não se limitam ao que aparece.
    Francisco Sousa Lobo (e-mail)