quinta-feira, 30 de março de 2017

Boring Europa ::: últimos 20 kilometros, digo, exemplares!!!

 

primeiro volume nova colecção da Chili Com Carne, LowCCCost, dedicada a livros de viagens
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de Ana Ribeiro, Joana Pires, Marcos Farrajota, Ricardo Martins 
e Sílvia Rodrigues


em Espanha, Itália, Eslovénia, Sérvia, Áustria, Alemanha e França
8000 km / 15 dias


sobre a tour europeia da Chili Com Carne realizada entre 1 e 15 de Setembro 2010 nas cidades de Valência, Bolonha, Ljubjana, Pancevo, Graz, Berlim, Poitiers e Vigo.


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participações especiais de Karol Pyrcik, Jorge Parras, Martin López Lam, Jakob Klemencic, Aleksandar Zograf, Simon Vuckovic, Vuk Palibrk, Christina Casnellie, Andrea Bruno, Igor Hofbauer, Edda Strobl, Helmut Kaplan, Pilas versus Nanvaz, e ainda com Gasper Rus, David Krancan, Matej de Cecco, Matej Lavrencic, Katie Woznicki, Letac, Boris Stanic e Johana Marcade nas comic jams feitas em Ljubljana e Pancevo.


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banda sonora gratuita em linha: "A Grande Explosão" de Ghuna X via Phonotactics


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128 p. 23 x 16,5 cm impressas a azul escuro, capa impressa a branco sobre cartolina Dali bluemarine 285 gr com badanas; ISBN: 978-989-8363-11-4

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sobre o livro: a tournê europeia Spreading Chili Com Carne Sauce in Boring Europa tinha como objectivo principal divulgar o trabalho da Associação e dos seus artistas. Até pode parecer um acto desesperado de querer mostrar "à força" o nosso trabalho mas, desde sempre, a CCC trabalhou com projectos e autores estrangeiros – Mutate & Survive, Mike Diana, Greetings from Cartoonia, MASSIVE, Festival Crack, etc... O problema é que quase nunca vemos estes nossos amigos, dada a solidão imposta pela nossa posição periférica. Fomos dizer "olá" ao pessoal amigo! E aos que só comunicávamos por correio! E, claro, conhecer malta nova! Fomos percorrer 8000 Km de Europa em 15 dias oferecendo um pacote completo de cultura underground portuguesa a quem nos recebesse: concertos de R- e Ghuna X, festa animada com o unDJ MMMNNNRRRG, exposição de impressões e serigrafias, e, claro, uma enorme selecção de zines, livros e discos independentes. Em troca queríamos apenas simples alojamento, comida (se fosse possível à organização) e dinheiro das entradas para os espectáculos. Se os punks e metaleiros fazem isto porque não podemos fazer a mesma coisa com livros? Get in the van!


Decidimos chamar a coisa de boring, pelo sim pelo não, porque vivemos numa uniformização cultural capitalista à escala global - como tão bem ironiza Jakob Klemencic algures no livro - em que as identidades nacionais ficaram reduzidas a meia dúzia de artefactos rurais e rituais anacrónicos prontos para serem vampirizados pelos comportamentos fotográficos dos “turistas = terroristas”.


Desde o início pensámos que só podia ser bom editar um livro com os desenhos dos viajantes - um relato on the road das pessoas com quem nos cruzámos, das cidades e dos países que visitámos, etc... Era impossível de falhar: seis pessoas a desenhar, seis livros de esboços fundidos num livro "oficial". Pura ingenuidade! A excitação de conduzir, o esforço físico de alguns trajectos, a desistência da Sílvia Rodrigues, logo ao terceiro dia, e a falta de confiança em desenhar da maior parte dos participantes deixou-nos apenas com UM caderno de esboços da Ana Ribeiro. Todas as outras participações tiveram de ser feitas à posteriori, complicando com os prazos pessoais e profissionais de quem gozou estas férias diferentes. Juntámos textos, BDs, desenhos “acabados” bem como “esboços” da Ana Ribeiro, Joana Pires, Marcos Farrajota, Ricardo Martins e Sílvia Rodrigues; e bds de autores estrangeiros que relatam a recepção da nossa “caravana” - Jorge Parras, Martin López Lam, Jakob Klemencic, Aleksandar Zograf, Vuk Palibrk e Christina Casnellie. Outros cederam-nos desenhos ou bds sobre viagens para enriquecer esta edição - Andrea Bruno, Igor Hofbauer, Edda Strobl, Helmut Kaplan, Pilas versus Nanvaz. Compilámos as melhores BDs-cadáver-esquisitos ou comic jams feitas em Ljubljana e Pancevo - são bds feitas numa sessão com várias pessoas em que cada um desenha uma vinheta continuando o trabalho dos anteriores perdendo-se sempre o controlo do avanço da “estória”.
Em "Lissabon", a Karol Pyrcik ficou a tomar conta das gatas do Marcos e da Joana, e a fazer um diário gráfico sobre a sua estadia, contrapondo as nossas visões, mas fez batota e produziu umas divertidas ilustrações sobre futilidades lisboetas e quotidianas.
Criámos um inovador “Frankenstein comix” ou uma Babel impressa? Em breve teremos reacções a este livro. Esperamos ter surpresas exteriores tão agradáveis como as que tivemos quando chegávamos aos sítios durante a digressão. 


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Apoios (tour e livro): GRRR Program + Centro Cultural de Pancevo, IPJ, MMMNNNRRRG e Neurotitan

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Historial: Realização da tour Spreading Chili Sauce around Boring Europa (1-15 Set) ... Lançamento 27 de Março na MapDesign (Lisboa) e 2 de Abril na Feira do Jeco (10 anos dos Maus Hábitos) ... referência no Gabinete de Crise ... Cabaz Underground (sorteio dia 3 de Abril nos Maus Hábitos) ... reportagem na Câmara Clara (RTP2) ...

Feedback : reacções de viajantes aqui ... I love tour books about la merde de la europa / jes we can Igor Hofbauer ... O nome dificilmente poderia ser mais sugestivo e paradoxal (...) Porque, por mais quilómetros que façamos (...) o Velho Continente é cada vez mais um corpo uno. Ainda assim, o que vem dentro das páginas (...) é tudo menos entediante. Muitas ilustrações, desenhos e BD, uma forte componente gráfica e um sem-número de diálogos impróprios para gente sem sentido de humor. Tudo a duas só cores, azul e branco. Rotas & Destinos ... (...) espécie de périplo autoreflexivo na forma mista de diário/ reportagem sobre uma viagem por uma Europa de movimentos independentes, que se transforma numa espécie de mini-manifesto (é algo pomposo, mas adequado) sobre modos de pensar a arte, a vida, o mundo. Destaque aqui para o importante trabalho de Marcos Farrajota, que, com todas as suas limitações formais, tem aqui um papel crucial ao unir as diferentes contribuições e preencher espaços em branco, destacando-se ainda o seu olhar sobre as várias contra-culturas que o grupo vai encontrando na viagem, entre a extrema empatia/admiração e o desprezo ácido (o episódio de Berlim é particularmente elucidativo). Sem este fio condutor o livro seria uma amálgama de acasos individuais, e não faria grande sentido. JL ... (...) é um livro que deve tanto à mítica Torre de Babel como às auto-estradas europeias, misturando várias línguas e registos tão diversos (...) Surpreendentemente, o resultado é tão coerente como são caóticos os dias aqui retratados. Mais do que uma colagem de histórias e fragmentos, Boring Europa é um livro de viagens, uma aventura em 8000 quilómetros de estrada e, sobretudo, um contributo relevante para se pensar a Europa e as suas relações internas. Agora que a ajuda entre países (mais ou menos forçada) anda na boca de toda a gente, seis pessoas e uma carrinha dizem mais sobre as vias possíveis para o encontro e sobre a capacidade de nos conhecermos para lá das fronteiras do que todas as directrizes da União Europeia. Sara Figueiredo Costa in Ler ... Hace casi un año tuve la oportunidad de presenciar una de las exposiciones más atrevidas y frescas de ilustración y cómic de todo el tiempo que llevo dedicado al mundo gráfico y a la autoedición. Acostumbrado a una corrección profesional y buen rollista, que muchas veces rosa el aburrimiento y mojigatería, que encuentro habitualmente en la gráfica convencional -en la prensa, en la calle y en las estanterías de las librerías-, la expo-guerrilla del colectivo portugués Chili Com Carne resultó ser un contundente puñetazo visual e ideológico que demostraba, con la práctica, otras maneras de entender la ilustración y el quehacer visual. La exposición duro sólo dos días y era la primera parada en el tour "Spreading Chili Sauce around Boring Europe" que llevó a los CCC por España, Serbia, Austria, Francia, Italia, Eslovenia y Alemania, en 15 días y cuyo diario de viaje, publicado bajo el título "Boring Europe", cuenta el cómo, cuando, cuanto y por qué recorrer alrededor de 8000 km con una furgo cargada de fanzines, y puede servir como guía de lo que es la autogestión cultural. Martin López in Bólido de Fuego ... Quase todas as histórias tocam, portanto, aspectos autobiográficos, referentes aos acontecimentos destas visitas, mas ao mesmo tempo são também testemunho de variadíssimas práticas alternativas. Não apenas da cultura (música, artes visuais, festas, feiras) mas também das práticas propriamente ditas. Ou seja, da angariação de fundos, da organização de eventos, na forma como se gere um fundo de maneio, nos modos como se criam alternativas ao(s) mercado(s) convencional(ais), como se recebem os convidados, da cozinha à dormida, e sem esquecer aspectos de turismo (...) E além disso, as jantaradas e conversas em torno de cervejas e cigarros, que levam a discussões breves mas que apontam a interessantes tomadas de posição face aos estereótipos, expectativas e jogos de projecção que o encontro de “nacionalidades” forçosamente fornece. São muitos os pormenores estranhos e curiosos deste livro, deste a sua forma de organização, à “sinalização” que identifica as autorias, até ao tal orçamento ou custos da aventura, e os dados dos espaços visitados, que poderia até funcionar como convite à visita dos leitores (...) Pedro Moura in Ler BD Um livro on the road, desenhado durante e após o tour dos autores num registo quase sempre próximo do biográfico. Foram 8000 Km de Europa percorridos em 15 dias, a bordo de uma carrinha e com orçamento reduzido. Mais do que um pout-pourri colado à pressão do trabalho dos diferentes autores, existe nesta obra um vero fio condutor (no pun intended), graças a um excelente trabalho de editor. É também um importante testemunho da existência de alternativas: à edição, à distribuição, à venda, à performance, à BD, à música, à arte, ao entretenimento, à festa, à viagem, à estadia, à habitação, ao turismo, à amizade, ao conformismo. E paralelamente vai-se criando a evidência de que, enfastiante ou não, não existe uma mas sim várias Europas. Afinal, mais do que estereótipos nacionais, somos todos indivíduos. Bandas Desenhadas



 exemplos de páginas:

Os Meus 21 Tormentos (3)


REP @ Queercore special


O Camarada REP vai meter video-clips de barulheira punk-rock-não-binária numa noite do Lounge dedicada ao Queercore. O cartaz psicofalocrata é do nosso amado Camarada Bráulio!

quarta-feira, 29 de março de 2017

Música Morta

Bem sei, sou um leviano a comprar cultura underground e tal. A k7 de estreia dos Veenho está bem sexy com um artwork fixe e o plástico da k7 é um azul a lembrar as k7s dos jogos para o Zx Spectrum! Claro, comprei a coisa na última Feira Morta sem saber o que fazia. Não me arrependo completamente, o Garage Rock dos Veenho lembra os Us Forretas Ocultos e a pandilha Beekeeper ou o quebrar de gelo das Pega Monstro - a Xita Records (colectivo/ editora) é vista como uma segunda geração do "modelo Cafetra". Ok, estamos perante mais bandas de putos descontraídos, o que é melhor que as poses de puta das starletes 'tugas. Se é verdade que em 1997 estava-me a cagar para os sucedâneos de Dinosaur Jr. e que não será que em 2017 que vou ficar atento a isso, também é verdade que não fiquei ofendido a ouvir esta k7. Ao perceber que o lado B era a repetição do lado A até achei piada voltar a ouvir os mesmos temas, como se tivesse voltado a por a agulha na música de um single em vinil para voltar a ouvir aquele tema orelhudo - só que aqui este single tem 5 temas! Estranho, conquistaram-me, estou a ficar mole?

Infelizmente o gato da fotografia aqui ao lado não está incluído na compra da k7. Apesar do design/ embalagem parece ter sido feito pela C+S de Odivelas a música é insidiosa para esquecermos esse facto. Não sei qual o título desta k7 (em plástico branco paneleiro) editada pela Nariz Entupido - e lançada na Morta -, acho que é Folclore Impressionista na SMUP Parede ou talvez Folclore Impressionista & convidados | Smup Parede | 15 de Janeiro 2017, quem sabe? Nem o Sombra sabe!
Os convidados é gente má-onda - e ainda bem! -como o Ondness, Caramelo e Jejuno. A música é glória 1987 experimental assim dronaria dark pós-pós-industrial, que ao ouvir em loop durante horas torna-se tão promiscua que se perde a autoria das músic@s tornando-se num som infinito de sonho e meditação. Mais do que perfeita para o gato aninhar-se ao colo!

Cena otária foi comprar o 10" Tracked Love From The Electric (Nooirax Producciones + Odio Sonoro + RodeoFest + Noma Records + Radix Records + The Bloody Dirty Sanchez; 2011) dos The Happiness Project. Auto-otário, bandas espanholas nunca me bateram - estou a ser injusto com o punk basco, o breakcore da costa este (jajajajaja) e os Grabba Grabba Tape! O "projecto alegria" é Power Violence o que me alegrou como ideia mas sei lá pá! Já ouvi tanto Man is the Bastard que não quero sequelas ainda por cima com uma vozinha de toureiro. Bela produção gráfica!
Quem está distribuir este material é a Boira Discos, editora espanhola que mudou de instalações para Lisboa, tem um catálogo excelente para jovens-já-velhos...

Mas o melhor de música nesta Morta foi o fanzine Cleópatra #10 (Façam Fanzines & Cuspam Martelos) de Tiago Baptista. É o título "perzine" deste autor que fica pasmado com muita coisa na vida, uma delas é que já se passaram 10 anos desde que criou o zine. Ao menos comemorou-o com pompa e circunstância (como aliás todos os zines merecem) com uma bela edição onde publica BDs e ilustrações suas - em que se vê uma mudança subtil do seu registo gráfico, cheira-me que o Tiago vai dar muitas surpresas nos próximos tempos. O que deu-me gozo especial neste número foram as suas resenhas críticas a discos e livros de BD, em especial a selecção de música que juro-que-é-verdade se o Cleópatra saísse nem que fosse uma vez por ano deixava de assinar a The Wire. O Tiago tem bom gosto, caramba: Edward Artemiev - compositor russo que fez bandas sonoras para o Andrey Tarkovsky (um realizador que é uma obsessão de Tiago) -, Sonny Sharrock, Mal D'vinhos ou Munir Bashir... não é qualquer um! Que um gajo já tenha ouvido falar neles é uma coisa, mais nomes entre mil referências, mas com alguém como o Tiago a filtrar a informação, a digeri-la e a servi-la com nova apresentação, dá mesmo gosto ir à procura e ouvir dos discos que ele comenta. Obrigado!

PS - Not music: é de estar atenta a esta autora: cargocollective.com/sondelwondel - do colectivo Confio - Desisto, Confio, Dor de Cotovelo,... que se passa com os nomes desta malta!?

sábado, 25 de março de 2017

ccc@feira.morta.no.estrela

cartaz de João Carola
Mais uma Feira Morta, desta vez na Estrela (na Graça, Lx) em que para além de estarmos com a mesa dos livros da Chili Com Carne & cia, lançamos oficialmente no DOMINGO colectânea Bruma de Amanda Baeza, livro que anda a fazer furor! Não é à toa que a autora foi convidada para exposição Arquivo Morto - estudos, esboços, testes, colagens, pré-impressões, arranjos, textos…um cenário infindável de formas e ferramentas de pesquisa e de trabalho que nos ajudam a perceber os meios de cada autor, como um raio-x, para chegar ao seu objecto final. Ostracizados, marginalizados, envergonhados no fundo de uma gaveta qualquer, alguns já amarrotados e outros então não escaparam ao destino do lixo: eis a ressurreição do Arquivo Morto.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Caminhando Com Samuel : NOVA EDIÇÃO (mais bonita, nova capa, mais páginas) na Matéria Prima


Nova edição do livro de bd de Tommi Musturi
pela MMMNNNRRRG

Tommi Musturi é um dos autores mais importantes na Finlândia, e também como dinamizador da BD. Já visitou três vezes Portugal: Salão Lisboa 2005, na Feira Laica 2009 na Bedeteca de Lisboa, onde estava patente a exposição da antologia GlömpX, que participou como autor, comissariou e editou, e recentemente no Festival de BD de Beja (2014). Também já publicou em Portugal na revista Quadrado e no Mesinha de Cabeceira, tendo já um certo culto à sua volta.

Caminhando com Samuel é um livro universal porque a BD é muda (sem palavras), colorida e tão atraente que atinge vários quadrantes de público: o público infantil (embora haja um episódio sangrento), o adulto (que terá trips metafísicas), os colecionadores e os generalistas, os cromos da BD, da ilustração e do street-art (todos irão aprender com a técnica de Musturi), e até os "peter-pans" dos toys terão tesão - é uma promessa séria porque na MMMNNNRRRG sempre fomos muito sérios!
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160p. a cores, 21x21cm, capa dura
com marcador de fita
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PVP : 20€ à venda na loja em linha da Chili Com Carne (com desconto para sócios), BdmaniaFábrica FeaturesXYZ BooksEl Pep, MongorheadPanta RheiLa IntegralClose EncountersMundo Fantasma, Matéria Prima, Artes & Letras, Letra Livre, Tasca Mastai, Pó dos LivrosTigre de Papel, Bertrand, FNAC, Bar IrrealBlack Mamba, It's a BookMatéria Prima e Utopia.

exemplos de páginas :




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Historial: 
obra seleccionada para a Bedeteca Ideal 
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nomeado para Melhor Álbum, Melhor Desenho e Melhor Argumento Estrangeiro para os Prémios Central Comics 
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Feedback: 
é muito bom o livro - vou precisar de outro livro porque ofereci o meu 
Travassos (Cleanfeed, Shhhpuma)

um dos nomes de primeira água da banda desenhada finlandesa contemporânea (...) um roadbook cosmogónico onde o olhar da descoberta primordial se mantém até ao fim. Mas onde as cosmogonias (entre elas o Génesis) encenam a criação num tempo recuado e definitivamente perdido, Samuel parece assumir uma condição atemporal, um estado de permanência que o faz atravessar eras, estados de alma e espaços com o mesmo deslumbramento e a mesma disponibilidade para o mundo que trazia no início, quando surgiu por entre a vegetação. (...) Aqui, não há respostas, só deslumbramentos
Sara Figueiredo Costa / Expresso 

(...) não necessita que se diga muito sobre ela. E não é por ser uma bd muda. Nesta edição excelente da Mmmnnnrrrg é uma obra que precisa sobretudo de ser saboreada. Ao som ritmado dos passos 

Dos gelos da Finlândia chega a saga psicadélica do pequeno gnomo Samuel. É a mais relevante edição de BD produzida em território nacional este ano. 
João Chambel (Heróis da Literatura Portuguesa)

But Samuel is not the ultimate Godhead, as we have seen; he is played by a higher hand: Samuel is not just any puppet, he is THE puppet, a perfect in-between character, a mirror of both God and us.

I have been looking at the Musturi comic every day since I got it, so beautiful and imaginary!
Christopher Webster (Malus)

Gramei o Samuel. BD contemplativa. é um equilíbrio bem subtil entre o desenho clínico, o abstraccionismo da história e o uso das cores. Fiquei curioso com a continuação: a recompensa do final acaba por não ser o mais importante aqui (...)
B Fachada

quarta-feira, 22 de março de 2017

domingo, 19 de março de 2017

Os Meus 21 Tormentos (1)

 
A Chili Com Carne está a receber um estágio da ESAD / Caldas da Raínha que está a desenvolver o seu próprio livro de BD com a nossa ajuda técnica. Entretanto para ele sair da rotina propusemos ao jovem Marco Gomes a realização de uma tira de resenha crítica a vinte e um livros de BD recomendados e emprestados na maravilhosa Bedeteca de Lisboa. Sairão aqui Os Meus 21 Tormentos (o rapaz é ingrato!) e mais tarde um fanzine que compilará estas tiras.
Feedback e discussão é bem-vinda.
Enjoy yourself

sexta-feira, 17 de março de 2017

Úlcera e cia.

Ed. autor; 2016?
Adonis Pantazopoulos e Puiupo

Puiupo é Paula Almeida, uma autora de BD portuguesa que foi para o Brasil. Por cá deixou pouco rastro, uma BD no saudoso Lodaçal Comix e outra mais duas ilustrações em Safe Place de André Pereira - aliás, os momentos mais desafiantes desse livro, desculpa lá, André...

Quanto ao gajo brasileiro com nome grego não sei nada dele, só sei que eles complementam-se ao ponto de fazerem este livro que parece Tsutomu Nihei em "crackinho", ou seja, um pseudo-manga sci-fi em decomposição e hermético em que não se sabe lá muito bem quem fez ou quê - será que foi "a quatro mãos" como o Cão Capacho Bósnio ou a dupla Dupuy-Berberian? Não parece mas pouco importa, estamos no campo da poética com mutantes. Estamos quase lá!

Resta dizer que há uma edição em versão inglesa pela Czap Books.


Por falar nesta editora, recebemos alguns dos seus livros. Dispersa em impressão DIY que significa fanzines fotocopiados, livros em impressão digital ou "chapbooks" em risografia, o catálogo é torto nas intenções, ora tontas ora cultas.

Das "tontas" (por terem um cariz popular) é de referir Witchlight (2016) de Jessi Zabarsky, que é um livro que reúne a história pré-publicada em formato zine. Com uma narração "ocidental" tem uma clara influência de "shoujo" ("manga" para miúdas "teens") com teor assumidamente humano imerso no género de "espada & feitiçaria", como os trabalhos de Hayao Miyazaki (influência assumida desde logo). Uma amizade entre duas raparigas numa caminhada (é sempre uma caminhada neste tipo de aventuras) num universo fantástico pode ser uma treta mas Witchlight consegue transpirar simpatia e positividade sem cair em lamechas artificiais nem na exibição de maminhas de feiticeiras ou de repteis sebosos caso fosse feito por um Conan. Ei! Isto é mesmo para miúdas "teens", porque raios li isto? Resposta: porque não me aborreceu nem me ofendeu. Duvido que volte e reler este livro mas não duvido é que o nome desta autora venha a ser ouvido mais vezes no futuro numa grande editora de entretenimento das Américas...

Tal como Witchlight também a colectânea Puppyteeth é impressa em digital dando alguma frieza e pobreza às edições e aos respectivos trabalhos. Ainda se ressente mais esta frieza dado aos "excessos digitais" dos trabalhos por mais sentimentais que eles sejam. Sentir empatia por eles é difícil, há uma distância que o grafismo mantêm, o que é uma pena porque a BD de Jenn Lisa merecia outro tratamento ou recepção.

Neste número quatro, de 2014, temos três norte-americanos e a Puiupo... Curiosamente ela que apresenta o trabalho mais "artificial" - desenhos degradados que parece que foram paridos num programa de desenho antigo - acaba por ser o que resulta melhor como leitura. Mais hermética e pós-moderna, não deixa ponto de segurança num conto que adivinha-se pouco mais do que se pode adivinhar em Úlcera. Como se costuma dizer não vale muito a pena combater fogo com fogo. Puiupo mostra que o que quer é uma chama maior. Conseguiu...

O melhor fica para o fim... os cadernos em risografia Ley Lines é um projecto que existe desde 2014, dedicado a fazer uma intersecção entre BD e a Cultura (sem ser bedéfila, yes!) lembrando imediatamente o excelente livro Playground do argentino Berliac. Os trabalhos justificam o título da colecção com supostos alinhamentos entre vários lugares de interesse geográfico e histórico percorrendo a ficção e o ensaio. Ou até a poesia gráfica de Warren Craghead com Golden Smoke, talvez o livro mais radical da colecção, em forma (o seu grafismo) e conteúdo (uma diatribe com o mercado da Arte). Sendo que a abrangência de temas nesta colecção é enorme, desde artistas como tão distintos como Bas Jan Ader (1942-75) e Egon Schiele (1890-1918) como catedrais góticas dão o mote às narrativas e imagens.

Belos livros graças também à impressão e produção gráfica "quentes". E uma boa lição editorial!

sábado, 11 de março de 2017

Warpwish #1

ed. de autor; 2016
Nathan Ward

Descobri este autor e o seu "comic-book" através da Maximum Rock'n'Roll e com algum orgulho porque é bom saber de BD sem ser pelos meios "oficiais" de BD...

Ler em 2017 o Warpwish é como voltar aos anos 90 (não que isso seja importante) ou mais especificamente à antologia Zero Zero da Fantagraphics. Digo isto porque a Zero Zero ora publicava os autores novos do final de 90, quer americanos como o francês Blanquet ou o sueco Max Andersson, quer recuperava autores do "underground comix" dos 60 como Skip Williamson ou Kim Deitch. Isto para dizer que há um estilo de "heavy cartooning" no trabalho de Ward, que de certo modo foi-se perdendo ao longo deste milénio ora como os minimalismos à Lewis Trondheim ou do traço espontâneo a grafite de Anke Feuchtenberg foram influenciando grandiosamente as produções comerciais ou alternativas de BD. Este aspecto barroco de Ward pode ser ainda visto aqui e acolá, como o "nosso" Rudolfo quando está em modo de lambidela mas é realmente cada vez mais raro...

A publicação é a cores, impresso em papel jornal em concordância punk e torna-se numa lufada de ar fresco para quem se sente rodeado de risografia e impressão digital! Ward tem 25 anitos, se o acusarem alguma vez de ter nascido já velho, isso deveria ser um elogio tal a psicadelia da bonecada e tripanço em geral das suas histórias. Viva a MRR! Mais surpresas virão daqui!

quinta-feira, 9 de março de 2017

200


SIM!
Chegámos ao sócio número 200!!!
SIM!
E tal como no passado com o sócio nº 100 e o nº 150 foi oferecido 200 euros em edições da Chili Com Carne!
NÃO!
Não é mentira!
NÃO!
Curiosamente foi este rapaz o afortunado!

...
Seja como for, para ser sócio:

e leitura obrigatória:

quarta-feira, 8 de março de 2017

Os Acrobatas / The Acrobats @ Monte-de-L'Air


Finalmente, a estreia de Marcos Trindade!!!

Depois de tantos anos ignorados pelos editores nacionais eis uma primeira obra sua, datada de 2010, publicada pela (só podia!) MMMNNNRRRG.

Daqui a 100 anos, investigando o que foi as primeiras décadas deste milénio será impossível apagar a enorme corrupção das nossas actuais classes políticas, tal é a quantidade de registos que mostram a javardice dos nossos dirigentes, em que este livro será mais um testemunho deste nosso sofrimento.

Como muitos livros nossos em que a superfície engana a profundidade dos conteúdos, infelizmente, muitos olharão para Os Acrobatas como um manual de auto-ajuda para os "(blow)jobs for the boys" que queiram subir ao céu. A queda no entanto será fatal...

A MNRG agradece ao Tiago Manuel por nos ter colocado em contacto com o autor.

...
Edição limitada a 700 exemplares. Livro em acordeão impresso a cores. 34 páginas A6. 
Design de Joana Pires
Redigido em português e com tradução em inglês no verso da contra-capa.

PVP: 10€ (descontos para sócios da Chili Com Carne, jornalistas e lojas) disponível na loja em linha da Chili Com Carne e na El Pep, Tasca Mastai, Artes & Letras, Letra Livre, Mundo Fantasma, Matéria Prima, Quimby's (Chicago), Linha de Sombra, Pó dos Livros, Seite Books (Los Angeles), Fatbottom Books (Barcelona), Monte-de-L'Air (Paris) e Stet
...

Historial: lançamento no dia 6 de Fevereiro 2016 na Snob, em Guimarães ...









Feedback: 
Tal como outros M.T./T.M., há também nesta obra um mesclado entre a pintura, o livro ilustrado e a banda desenhada. (...) 
Nuno Sousa 
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 Num formatinho pequeno, faria recordar uma espécie daqueles foles de postais que se vendiam há uns anos, junto a monumentos ou paragens pitorescas, ofertando várias perspectivas ou facetas do que o título apresentasse. Os acrobatas, se for lido assim, oferece então várias faces de uma realidade hodierna da nossa sociedade, a de uma classe de pessoas que ocupa a paisagem social e a tingem com uma cor difícil de lavar. (...) Os assuntos de Os Acrobatas poderão ser identificados como graves: a adaptabilidade de uma certa classe de colunáveis da mundanidade (dos círculos mediáticos, económicos, políticos, talvez, nem sempre é claro, mas Trindade gostaria que esses fossem entendidos como tendo circunferências fluidas e com – demasiados? – pontos de passagem), a pedofilia, o compadrio político, os sinais exteriores de riqueza como sintoma de desequilíbrios na restante população, clichés que levam a que, como reza a famosa canção de Sérgio Godinho, “Só neste país é que se diz: só neste país”.
Pedro Moura in Ler BD
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Um livro-harmónio cujas imagens ilustram, entre a ironia e o sarcasmo mais violento, uma certa podridão moral que tem atravessado algumas esferas da política contemporânea, a dos jovens (e não tão jovens) que entram na política por exclusivo interesse próprio, destruindo a ideia do governo da pólis e erguendo, no seu lugar, o ritual diário de se autofavorecerem sem nenhuma preocupação com a comunidade.
Blimunda

terça-feira, 7 de março de 2017

Gazeta #1 (Nov'16)


A saída do primeiro número da Gazeta abre um bairro de esperanças!!! Já não são só as Juntas de Freguesia que têm o monopólio de emissão de ideias no meio local. Devem ter reparado que nos últimos anos todas as Juntas passaram a ter o seu orgão de propaganda encoberta numa publicação que deveria ser usado como  serviço público. Além de algumas roçarem o luxo gráfico (ou o desperdício, conforme o prisma) o que querem mostrar apenas é o/a Presidente com crianças numa escola que recebeu um prémio, @ Presidente num Parque reaberto, @ Presidente a limpar o cuzinho de um velhote no Centro de Dia (quem nos dera ao menos passávamos a saber que um Presidente de Junta é útil para alguma coisa), etc... Tudo tudinho a favor do executivo que estiver a presidir, em que a discórdia é censurada e até perseguida. Infelizmente a falência dos jornais locais deixou um vácuo editorial que as Juntas sorrateiramente e alegremente preencheram juntamente com a Dica da Semana ou a papelada nazi do Pingo Doce.
Se @ Presidente da Freguesia de _______ pode projectar as suas operações higiénicas porque não poderá fazer também uma associação de bairro como a RDA69? Antro de anarco-ciclistas, libertários em ebulição e outras criaturas do contra, a Gazeta vence logo a bosta editada das Juntas porque tem um design impecável, humor q.b., intelecto crítico e o José Smith Vargas a ilustrar e banda-desenhar. É grátis e tem um poster paradoxal para ser fotocopiado e colocado em todas as caixas de electricidade de qualquer cidade ou vila ou aldeia. Viva!