quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Berlim : Cidade Sem Sombras de Tiago Baptista - apresentação na ZDB na Quinta-Feira!


BERLIM
Cidade sem Sombras
de

1 residência artística / 1 artista sem luz / 3 meses de frio / alguns encontros / algumas considerações e até um sonho!


Entre Fevereiro e Abril de 2013, Tiago Baptista (Leiria, 1986) participou na residência artística Culturia em Berlim. Esse Inverno foi o menos luminoso em décadas e isso ressentiu-se na sua estadia, nos seus hábitos, nas suas impressões sobre a cidade, no seu trabalho e agora no resultado deste livro.

Segundo o autor: «aqueles meses sem sombras foram como um bloco monolítico de tempo que parecia não passar. Era como se o tempo tivesse ficado suspenso, como se não passasse porque aparentemente a luz também ela não se movia. Tentei que este livro falasse sobre essa falta de luz e também sobre a falha da memória. De facto, parece-me que o que guardamos são falsas memórias.»

Este é um livro sobre fantasmas. Fantasmas de memórias e de uma cidade que já não existe, de um sistema que desapareceu mas que está ainda tão presente, nos edifícios, na História, no turismo, nas pessoas...


O livro já se encontra disponível na loja virtual da CCC e na BdMania, Letra Livre, Tasca Mastai, Pó dos Livros, Artes & LetrasPalavra de Viajante, Mundo Fantasma e Tigre de Papel. Depois de tomar Portugal vai a caminho de Berlim, um bocado como a letra do Leonard Cohen...

Apresentação oficial na ZDB, no dia 9 de Novembro de 2017, às 19h, com apresentação de Joana Miguel Almeida.





O autor licenciou-se em 2008 em Artes Plásticas na ESAD nas Caldas da Rainha onde começou a publicar várias publicações em 2005 sob o nome de Façam Fanzines e Cuspam Martelos. Como artista plástico o seu trabalho é reconhecido por vários prémios (Amadeo de Souza-Cardoso 2015 e Fidelidade Mundial Jovens Pintores 2009) e exposições em várias galerias e instituições como Palácio Vila Flor (Guimarães), Sala de Arte Joven (Madrid), Galeria 3+1, Fundação EDP, João Cocteau (Berlim), ZDB, Museu-Colecção Berardo. A sua bibliografia inclui Fábricas, baldios, fé e pedras tiradas à lama (Oficina do Cego + a9)))); 2012), Stalker (Ao Norte; 2015), Imagem Viagem (Bedeteca de Beja; 2016) e o livro colectivo desta mesma colecção, Zona de Desconforto (2014) onde foram publicados alguns episódios do presente volume. Foi o vencedor do Toma lá 500 paus e faz uma BD! (2016) com um livro a publicar em 2018 sobre a Greve Geral de 18 de Janeiro de 1934.


feedback:

(...) regressando à ideia desta mesma série de livros de dar a ver uma certa ideia de trânsito mas desprendida totalmente das mais usuais linhas da “literatura de viagens” e muito menos associada ao “encómio do turismo”. O objectivo deste livro, afinal, não é conhecer a cidade de Berlim, nem tampouco compreender “as experiência de Tiago Baptista em Berlim”, mas antes compreender como é que essa experiência se abre a toda uma série de interrogações de identidade própria, alheia, global, cultural e política. Baptista não envereda jamais num discurso directamente panfletário, como dissemos, preferindo ou um certo grau de ambiguidade ou deixar que os não-ditos se instalem de modo suficiente a obrigar o leitor a instalar-se nos interstícios do que se assinala como silêncio, esquecimento, precariedade, miséria, e também consciência. São marcantes sobretudo os relatos de Jenin e Maranda, ambos mostrando locais em que o autor-protagonista come e vai ao encontro não somente da pessoa que ali trabalha (respectivamente, um palestiniano da Cisjordânia e um português de Tondela) como nesse diálogo compreende a distância da sua experiência com a dessas outras pessoas, assinalando não somente mecanismos de empatia como de auto-compreensão de um certo privilégio.

Ao contrário de livros que pretendem fechar um sentido e dar ao leitor uma sensação de equilíbrio humanista, em que uma suposta utopia de grande família seria possível, Baptista quer mostrar a aguda distância que separa cada ser humano, nos seus mundos específicos, assim como a rugosa textura do próprio mundo, ou do pouco mundo, que se consegue estabelecer como comum. (...)
Pedro Moura in Ler BD

(...) é espetacular!

Goran Titol

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