quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Caminhando Com Samuel /// NOVA EDIÇÃO (mais bonita, nova capa, mais páginas)


Nova edição do livro de bd de Tommi Musturi
pela MMMNNNRRRG

Tommi Musturi é um dos autores mais importantes na Finlândia, e também como dinamizador da BD. Já visitou três vezes Portugal: Salão Lisboa 2005, na Feira Laica 2009 na Bedeteca de Lisboa, onde estava patente a exposição da antologia GlömpX, que participou como autor, comissariou e editou, e recentemente no Festival de BD de Beja (2014). Também já publicou em Portugal na revista Quadrado e no Mesinha de Cabeceira, tendo já um certo culto à sua volta.

Caminhando com Samuel é um livro universal porque a BD é muda (sem palavras), colorida e tão atraente que atinge vários quadrantes de público: o público infantil (embora haja um episódio sangrento), o adulto (que terá trips metafísicas), os colecionadores e os generalistas, os cromos da BD, da ilustração e do street-art (todos irão aprender com a técnica de Musturi), e até os "peter-pans" dos toys terão tesão - é uma promessa séria porque na MMMNNNRRRG sempre fomos muito sérios!
...
160p. a cores, 21x21cm, capa dura
com marcador de fita
...
PVP : 20€ à venda na loja em linha da Chili Com Carne (com desconto para sócios), BdmaniaFábrica FeaturesXYZ BooksMongorheadPanta RheiLa IntegralClose EncountersMundo Fantasma, Matéria Prima, Artes & Letras, Letra Livre, Tasca Mastai, Pó dos LivrosTigre de Papel, Bertrand, FNAC, Bar IrrealBlack Mamba, It's a BookMatéria Prima e Utopia.

exemplos de páginas :




...

Historial:

obra seleccionada para a Bedeteca Ideal 
... 
nomeado para Melhor Álbum, Melhor Desenho e Melhor Argumento Estrangeiro para os Prémios Central Comics 
... 
... 
Feedback: 
é muito bom o livro - vou precisar de outro livro porque ofereci o meu 
Travassos (Cleanfeed, Shhhpuma)

um dos nomes de primeira água da banda desenhada finlandesa contemporânea (...) um roadbook cosmogónico onde o olhar da descoberta primordial se mantém até ao fim. Mas onde as cosmogonias (entre elas o Génesis) encenam a criação num tempo recuado e definitivamente perdido, Samuel parece assumir uma condição atemporal, um estado de permanência que o faz atravessar eras, estados de alma e espaços com o mesmo deslumbramento e a mesma disponibilidade para o mundo que trazia no início, quando surgiu por entre a vegetação. (...) Aqui, não há respostas, só deslumbramentos
Sara Figueiredo Costa / Expresso 

(...) não necessita que se diga muito sobre ela. E não é por ser uma bd muda. Nesta edição excelente da Mmmnnnrrrg é uma obra que precisa sobretudo de ser saboreada. Ao som ritmado dos passos 

Dos gelos da Finlândia chega a saga psicadélica do pequeno gnomo Samuel. É a mais relevante edição de BD produzida em território nacional este ano. 
João Chambel (Heróis da Literatura Portuguesa)

But Samuel is not the ultimate Godhead, as we have seen; he is played by a higher hand: Samuel is not just any puppet, he is THE puppet, a perfect in-between character, a mirror of both God and us.

I have been looking at the Musturi comic every day since I got it, so beautiful and imaginary!
Christopher Webster (Malus)

Gramei o Samuel. BD contemplativa. é um equilíbrio bem subtil entre o desenho clínico, o abstraccionismo da história e o uso das cores. Fiquei curioso com a continuação: a recompensa do final acaba por não ser o mais importante aqui (...)
B Fachada

Simplesmente Samuel


As novas caminhadas existênciais de Samuel

Simplesmente Samuel de Tommi Musturi

160p. 20x20cm a cores em papel Orla Cream 140g
capa dura a cores, marcador de fita

PVP: 20€ - à venda na loja em linha da Chili Com Carne, BdManiaArtes & Letras, Letra Livre, Tasca Mastai, Linha de Sombra, Pó dos Livros, Mundo FantasmaTigre de Papel, Blau (Fac. Arquitectura de Lx), MOB, Bertrand, FNAC, Bar Irreal, Utopia, Matéria PrimaA Ilha / XYZBooks & Records Megastore by LargoLAC (Lagos) e Black Mamba.

...

Simplesmente Samuel é uma narrativa visual silenciosa, uma homenagem à vida e à existência humana. Samuel é uma figura fantasmagórica que caminha por um mundo colorido (muito parecido com o nosso) praticamente invisível para o que está ao seu redor, como um verdadeiro herói da nossa vida quotidiana e mundana. As vinhetas sem palavras de Simplesmente Samuel lidam com o individualismo e o conceito de liberdade, ponderando nossas atitudes diárias, escolhas e os valores por trás delas - tudo isso através das acções e expressões de Samuel.

Simplesmente Samuel é a continuação de Caminhando Com Samuel (2009), primeiro trabalho de Tommi Musturi com este "pequeno fantasma que caminha", e escolhido pelo jornalista Paul Gravett para o livro de referência 1001 Comics You Must Read Before You Die.

O traço de Musturi exprime uma narrativa contundente, combinando psicadelismo dos seus mundos interiores com uma precisão matemática no acabamento e no design. O universo rico em cores e formas funciona como uma parte da narrativa ecléctica que continua a surpreender o leitor página a página.

Simplesmente Samuel é um romance gráfico peculiar, que induz o leitor a ver e experimentar a arte impressa a um novo nível.

Simplesmente Samuel foi lançado simultaneamente em nove países diferentes - a edição portuguesa foi em parceria com a brasileira A Bolha - e foi agora lançado nos EUA pela Fantagraphics Books. Foi nomeado para Melhor Álbum Estrangeiro pela BD Amadora 2017.

...

Sobre o Caminhando Com Samuelum dos nomes de primeira água da banda desenhada finlandesa contemporânea (...) um roadbook cosmogónico onde o olhar da descoberta primordial se mantém até ao fim. Mas onde as cosmogonias (entre elas o Génesis) encenam a criação num tempo recuado e definitivamente perdido, Samuel parece assumir uma condição atemporal, um estado de permanência que o faz atravessar eras, estados de alma e espaços com o mesmo deslumbramento e a mesma disponibilidade para o mundo que trazia no início, quando surgiu por entre a vegetação. (...) Aqui, não há respostas, só deslumbramentos. Sara Figueiredo Costa / Expresso (...) 


Sobre o novo título:

(...) o mesmo tempo entrega-nos instrumentos de interpretação que poderiam permitir-nos ler Simplesmente Samuel como uma imagem de algo para além da aparente simplicidade prometida. O livro é, portanto, uma pequena máquina que tanto permitirá uma leitura de consulta rápida, em que nos deleitamos nas cenas isoladas, nas anedotas por si mesmas, mas também uma mais aturada e ponderada consideração do seu significado holístico (...) Pedro Moura in Ler BD. 

I just had Sam for lunch today, such a visionary guy, childish but in a twisted way, I like him for now, but I have to get to know him better DJ Balli (email)

Samuel es un personaje vacío, sin personalidad, un conducto para que la aventura gráfica se desarrolle. Sin embargo, al mismo tiempo es lo mismo y otra cosa diferente, una recopilación de páginas más experimentales y profundas, donde Musturi ha logrado dar un salto al vacío y llegar un territorio nuevo. The Watcher (em relação à edição espanhola)

Nunca tínhamos visto os colhões ao Sapo Cocas, obrigado Tommi Musturi. Clube do Inferno

Melhores Livros de BD de 2016 no Deus Me Livro

A viagem de Samuel através das páginas transforma-se pois numa estranha meditação sem palavras, contada apenas com desenhos. (...) há inúmeras descobertas a fazer neste belo livro. João Ramalho Santos in Jornal de Letras













...



Tommi Musturi nasceu em 1975, é um dos autores mais excitantes num país onde onde surgem dezenas de autores excitantes!

Desde miúdo que é um activista, começou por editar nos anos 90 singles de Noise Rock e zines de BD sob a chancela Boing Being, em que se destaca a antologia Glömp cujo último número explorou narrativas em três dimensões - número experimental, luxuoso e basilar que teve direito a uma exposição que passou pela Bedeteca de Lisboa em 2009. Apesar de viver em Tampere é um dos elementos mais activos do atelier Kuti Kuti (de Helsinquia) que edita o muy psicadélico jornal de BD Kuti - um caso único no mundo, diga-se de passagem.

As bandas desenhadas de Musturi são quase sempre mudas (sem texto) e de uma comicidade camuflada. Acima de tudo é um humanista que apresenta o seu mundo e as suas personagens de todos ângulos de forma a girá-los num círculo em que a verdade apresenta-se sempre em mutação. No ano de 2011 ganhou o prémio principal da BD finlandesa, Puupäähattu, pela Sociedade Finlandesa de BD. Os seus trabalhos tem sido exibidos e publicados em mais de 10 países - como o The Books of Hope editado pela importante Fantagraphic Books.

No caso português participou nas antologias Quadrado (3ª série, Bedeteca de Lisboa), Mesinha de Cabeceira Popular #200 e no MASSIVE - ambas da Chili Com Carne. Foram também publicado os livros To a stranger (Opuntia Books; 2010) e Beating (MMMNNNRRRG; 2013) dedicados à sua obra gráfica. Este autor já nos visitou várias vezes entre elas na Feira Laica na Bedeteca de Lisboa (2009) e no Festival de BD de Beja (2014).

Os livros Caminhando Com Samuel e Simplesmente Samuel, com edição em nove países, têm lhe granjeado fama internacional, sendo que o primeiro título foi uma das obras seleccionadas para o livro de referência 1001 Comics you must read before you die.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Novas leituras cosmopolitas

Lisboa e gentrificação? Que cliché! Já se pode falar é mas é de "brasilificação". Cidade dos ricos e cidade dos pobres, a classe média que vá para o raio que a parta! Enquanto isso acontece, o que não faltam são eventos underground e visitas internacionais de ícones da Cultura alternativa como o engraçadinho do Momus (Zaratan) ou dos barulhentos Melt Banana (ZDB). Mais interessante, quanto mim, são os outros doidinhos menos conhecidos, como o neo-zelandês Ron Gallipoli ou o francês Etienne Brunet, que além de músicos mantêm uma actividade literária quase saudável, quase...

Black Lantern : Journal of Tropical-Industrial Art, vol. 2 (Matadouro; 2017) é uma espécie de Antibothis versão fanzine sobre o tema do "Tropical-Industrial". Objecto fragmentado de vários artigos consagrados a essa corrente cultural dos nossos antípodas, que não é muito diferente das ideias já geradas do Post-Punk, Industrial ou Plunderphonics, ou seja, submergir no lixo cultural e desse caos criar alguma ordem artística. Os manifestos e textos que aparecem neste "jornal" são mais poéticos do que funcionais, com algum cheiro de anti-política e a descoberta quase juvenil de uma ética pessoal. Gallipoli é o instigador deste movimento com a ajuda de Colin-Israel Fulgar e outros artistas. A seguir a ascensão e queda desta estética!




Acouphènes Parade (2012) e Parigot (2016) pela Longue Trïne Roll são dois livros modestos em formato e forma mas cheios de raiva e energia de um saxofonista que escreve como se fosse "sex, drugs & rock'nroll", embora o tom seja mais geriátrico, do tipo "transex, copofonia & free jazz". São relatos de sobrevivência para quem a vida lhe corre tudo mal: sofre de tinido - desculpem o mau gosto para este link -, perde o Amor, é difícil arranjar trabalho (quem é que quer ouvir um músico de Free? ainda por cima semi-surdo?) e o mundo que conhece desmorona-se a olhos vistos - sendo parisiense vive de perto os massacres na Charlie Hebdo e no Bataclan. Ao contrário de um "teenager" que provavelmente se suicidaria com tantos infortúnios, Brunet enfrenta o boi pelos cornos, c'est la vie, até porque há mesmo vida depois de explosões seja num ouvido seja num bar. Ainda é possível boémia mesmo sobre um estado policial, pelos vistos. A escrita dele é tão pot-pouri como as suas músicas. Se o Free é o início para Brunet, ele é um músico curioso e que se interessa por várias outras formas - Glitch, Techno, Rock, músicas de África, Ásia ou Balcãs - basta consultar a sua discografia para perceber isso. Na escrita é tão evidente esse seu espírito irrequieto pois escreve crónicas autobiográficas ou ensaios autoficcionados e não vai de modos, acopla ainda poesia visual ou partituras semi-funcionais. Ele que venha mais vezes a Lisboa e que traga destas prosas cortantes.

domingo, 26 de novembro de 2017

Midas Metal


A Chaospshere faz lembrar a Britney Spears, só por isto: Oops!...I Did It Again! E isto significa: fizeram mais uma reedições babantes e merecidas. Em vinil!

A primeira é sobretudo porque tem o melhor senão o único belo rabiosque nas capas portuguesas. Na contra-capa até ampliam o traseiro da moça mostrando que há mesmo bom-gosto nesta banda. Espero que o demónio que se prepara para sacrificar a Rainha da Magia Negra se foda à grande com um trovão nos cornos antes que a lâmina caia em cima da gaja! Admito que não curti os Midnight Priest quando os vi no 15º SWR - será que ainda apanhei o Rudolfo Mariano nessa altura na guitarra? Nunca curti a onda NWOBHM e quejandos, só mais recentemente é que comecei a dar valor aos Judas Priest (algumas músicas apenas!) ou Mercyful Fate. Sempre achei estranho homens cantarem falsetes e outras histerias. E pior ainda, com letras saídas da Espada Selvagem de Conan. O LP compila o EP homónimo de 2009 e a demo-tape, e graças a isso ouvimos temas repetidos mas tudo bem, esta banda tem energia e tontice quanto baste para se curtir um headbanging jeitoso na casa-de-banho. Nice shit!

Arrisco-me a dizer que Inmunditia Odii Plena será a melhor edição da Chaosphere, e uma das melhores de sempre no espectro Metal. Compila a demo também dos Filii Nigrantium Infernalium e a demo de Bactherion, banda que deu na criação dos Filii. Esta será a única banda de Black Metal Verdadeira Lusitana, coerente desde sempre na forma como aborda o Black Metal. O som é algo entre o rural freak e o Black Metal roto. Esta é a banda que já fazia o cruzamento entre o Punk e Black Metal antes dos nórdicos o popularizarem e capitalizarem-no. A Chaosphere tem feito um trabalho incrível na recuperação metaleira desde 2012 - com excelentes edições de Thormenthor ou Shrine (daqueles que melhor tenho memória) - mas este está mesmo incrível até porque tem um poster homoerótico do vocalista fundador Belathauzer (nada melhor que fotos de jovens que acreditam em algo!) e um fanzine com toda a informação dessa época e das edições originais. Parabéns a todos!!!

sábado, 25 de novembro de 2017

Life is a simple Mess @ Desert Island


Picture book by Travassos + audio CD


Life is a Simple Mess presents us with an imaginary journey divided into three stages: “Life is Simple”, “Life is a Mess” and “Mish-Mash” where simple and complex forms co-exist in a natural and complementary way. Along the way the texts of Nate Wooley are giving clues and Revelations for a possible interpretation of this symbiotic scenario of the real-unreal.
Can illustrations or graphics survive to the context for which they were created for? Yes, they can, as it is a wonderful example the book Life is a Simple Mess by Travassos. What we can see in these pages was originally destined by its author for record covers released by the labels Clean Feed, Shhpuma, Sunnyside and Why Play Jazz or for the promotion of the music festival Rescaldo, of which he is the programmer, but here it all gains a second existence. Without the name of a musician or a group, without a title and without the logo of a discographic company on a specific album, each piece shows itself without the rationalizing caution of an imagetic translation of the impressions provoked by music. It’s like if the images free themselves not only from its purpose but also its cause, eventually finding in its inner force their justification and their significance, even considering the inherent undefinition in the effort not to determine our individual interpretations.
Travassos’ world sums – and usually on the same visual composition – elements from several sources. One of them is a reiterated naturalist perspective, with flowers and birds protagonizing a number of visions which transforms our reality in an alien fantasy, and that simply because the act of representation always result in a recriation (a modification) of the original. Another one offers us an understanding of the human figure owing everything to comics, and prefering a pop iconography to the centuries of Beaux-Arts’ body stylizations, though treated with a formal essentialism that plays with familiarity (a house is a house is a house) and not with strangeness, in a sort of minimalist conversion of surrealism.
Music doesn’t disappear completely from this visionaryism turned autonomous. The texts on the book never refer to it, but they were written by a musician, the trumpeter and free improviser Nate Wooley, and the invitation given to him says much about it. The publication is also complemented by music on CD, with a compilation of tracks, the most part of them unreleased, of bands having Travassos as a member in his parallel activity as sound artist, like Pão, Big Bold Back Bone and Pinkdraft. In consequence, Life is a Simple Mess leaves music to return to it. In the middle of that journey, the also manipulator of electronic audio devices finds his full identity as visual artist, a necessary condition to relate himself less obviously, less literally, with music. And that’s very, very interesting.
Published by CHILI COM CARNE with SHHPUMA - You may buy it in both sites and for now in Neurotitan (Berlin), Quimby's (Chicago), Desert Island (Ne York) and loads of places in Lisbon and Porto...
...

Historial: released in 4th August 2017 at Jazz em Agosto Fest / Fundação Calouste Gulbenkian after a Larry Ochs + The Fictive Five gig ... 



FEEDBACK

The Clean Feed and Shhpuma labels continues to expand and evolve, allowing us to look beyond the music and deal with other the visual aspects provided inside this impressive 64 page book. Yes, there is a CD of music/sounds which is found inside this 64 page book of assorted drawings, collages and minimal texts by Nate Wooley. Sonic specialist Travassos appeared on a few recent CDs from Clean Feed stable: Pão and Big Bold Black Bone. The disc here features Travassos playing with both of these projects as well as other assorted musicians. Travassos plays tapes, amplified objects, analogue electronics and crackle box. (...)  The often mesmerizing sound of Travassos’ electronics permeates this entire disc without him ever soloing but creating a variety of haunting scenes. The book also evokes similar mysterious images which work perfectly with the music on the disc. Another triumph for the fine folks at Shhpuma  - Bruce Lee Gallanter, Downtown Music Gallery

A fascinating book of artwork from Clean Feed visual designer and electronic improviser Travassos, with perceptive text from Nate Wooley punctuating the imagery (...) - SquidCo

Três livros com o Relvas na Chili (ou uma maneira de lhe dar importância)

vinheta de Anica Govedarica

Já todos devem saber que faleceu, esta semana o autor de Banda Desenhada Fernando Relvas. Como escreveu Pedro Moura no seu blogue Ler BD:

O Relvas foi, a nosso ver, um “artista de artistas”, naquele sentido em que a sua lavra e obra teve mais impacto sobre toda uma (ou mais) geração de artistas que se seguiram do que propriamente junto a um público mais massificado. 

Concordo com o "artista de artistas" mas coloco a questão do público pois bem me lembro, em 1999 numa tasca qualquer da Ribeirinha do Porto à noite, alguém levantar a voz e dizer "tu é que és o Relvas? das BDs?" Ou seja, "alguém do público" identificou-o e amava o seu trabalho. Relvas influenciou uma geração circunscrita aos anos 80, uma época negra da BD portuguesa, em que só se publicava lixo do pior. Autores portugueses nem vê-los - a excepção será o Arlindo Fagundes, com La Chavalita que ainda hoje como obra mantêm o nível comparando com o que pouco que sobra dessa década. Ou seja, houve poucos livros e quase nenhum de jeito. Foi uma década que não houve nem uma Visão nem uma Lx Comics.  Revistas especializadas haviam muitas mas todas elas anacrónicas e tristes. A safa de um artista de BD pelos vistos eram os jornais e revistas generalistas - quando havia imprensa, lembram-se? - e foi nesse espaço onde Relvas foi o Rei Absoluto com as suas crónicas urbanas e boémias.

Apesar de nunca termos publicado algum grande trabalho do Relvas, até na Chili Com Carne a sua figura foi-nos surgindo nos últimos anos de formas indirectas (retratado e referido). Nem a Chili que se considera marginal, conseguiu fugir à sua importância.

[Lisboa é very very typical] Relvas aparece numa BD produzida pela sua mulher Anica Govedarica (imagem) no nosso livro sobre estrangeiros a viverem em Lisboa. É uma cena com a autora a auto-representar-se como uma gaivota... Foi um dos grandes feitos de Relvas na BD portuguesa a de mostrar  Lisboa, a capital de um país em plena transformação de uma Revolução desiludida para uma Democracia cheia de Espectáculo. A marginalidade e a boémia aparecem na BD portuguesa, bem como a urbanidade e a contemporaneidade. De L123 ao Karlos Starkiller há droga, copos e bifas! Já havia libertinagem na Visão mas perdeu-se o rasto...

[RevisãoNum país de edição fraca, ele foi dos primeiros autores de BD a ver a sua obra a ser reeditada em livros. Isto ainda numa altura que ou se produzia BD Histórica em álbum franco-belga ou então... nada. Aconteceu em 1997 com Karlos Starkiller pela BaleiAzul / Bedeteca de Lisboa, logo no ano seguinte com L123 (seguido de Cevadilha Speed) pela Associação Salão Internacional de BD do Porto até mais recentemente o importante Sangue Violeta (El Pep; 2014). Glórias mais do que merecidas e quase todas estas reedições tinham uma boa qualidade editorial! A sua obra está presente no mercado livreiro e assim se espera que se mantenha durante muito tempo. Felizmente este outro grande feito, proporcionou a que não termos de precisar de recuperar este autor do esquecimento, situação que a antologia Revisão : Bandas Desenhadas dos anos 70 pretendia corrigir e que conseguiu, trazendo à luz pública nomes esquecidos dos anos 70! Ainda assim achei que seria importante a publicação de uma cómica BD originalmente d'O Estripador (1975). Nela relata como seria a redacção desse projecto editorial naquela década caótica. Será das poucas BDs onde se vê os bastidores de pessoal da BD a trabalhar numa revista, eles todos barbudos revolucionários com pinta de consumirem liamba. Só por isso, obrigado Relvas!

[Punk ComixNo livro sobre o "Punk e a BD portuguesa" refiro que o mercado da BD nos anos 80 era tão atrasado que até para aparecer um mero Punk (personagem que seria normal aparecer nessa altura nem que fosse como "mobiliário urbano") numa BD estrangeira traduzida e publicada em Portugal só encontrei uma situação! Uma do francês Serge Clerc no sebento Jornal da B.D. Isto é o indício mais óbvio de como quem dominava o mercado era velho, atrasado e cego. Portugal nunca foi como Espanha apesar da vizinhança e das coincidências históricas. Lá houve revistas ao sabor do seu tempo como a El Vibora ou a Madriz, cá quase nada... Cá quem conseguia aceder revistas espanholas ou brasileiras lá percebeu que BD não significava apenas histórias de caubóis e o raio que o parta! Não admira que alguns putos tenham lido o Sangue Violeta todas as semanas no jornal Se7e e se tenham passado da cabeça ao ponto de começarem a fazer BD, tal como aconteceu com as mil bandas que começaram porque viram Sex Pistols e Ramones ao vivo. Ok, sei que exagero, há que fazer uma proporção (bem descendente) à realidade portuguesa e da banda desenhada, claro está, mas fica bem dizer isto. Ele merecia estes exageros...

Marcos Farrajota

Feira Dona Edite 5#


Dona Edite #5: Bar-convívio, Bancas, Conversas e Concertos, Mini Dona Edite.

Convidados: Vicente Lua e Maria Lobo, Carolina Caramujo, Genes, Earth Drive, Lemon Drops, Feedback, Burning Desire, Urubu Records, Leote Records, Assustado Records, Ateliers da Serafina, Imprensa Canalha, Chili Com Carne, Tipografia do Chapeleiro Doido, Daniel Maia, Elias Gato, Mike Goes West...

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Boxing Day @ Tigre de Papel


A TIGRE DE PAPEL preparou um "Boxing Day" no dia 22 de Novembro

às 18h30 : Apresentação do livro Santa Camarão, de Xavier Almeida. Debate com o autor, Rahul Kumar, Mestre Paulo Seco e Marcos Farrajota. 

às 21h30, exibição do filme Belarmino (1964), de Fernando Lopes, seguida de conversa com Anne Leclercq 

Entrada livre 

 José Santa "Camarão" (1902-1963) foi um dos maiores boxistas do mundo e com uma história de vida avassaladora. Esquecido pelo tempo, Xavier Almeida propõe trazê-lo à memória com uma biografia baseada num caderno escrito pelo próprio Santa que relata a primeira parte da sua vida: da sua infância em Ovar à juventude em Lisboa, onde culmina com o início da sua vida profissional. (...) Na conversa participarão Xavier Almeida (ilustrador e autor do livro), Rahul Kumar (sociólogo), Mestre Paulo Seco (boxista e treinador de boxe) e Marcos Farrajota (ilustrador e editora da Chili com Carne). 

Belarmino é o retrato de um lutador de boxe, antigo campeão, que ganha a vida a engraxar sapatos. É um filme sobre a solidão, o medo e a derrota. Mostra ainda o lado social de uma cidade: Lisboa. Uma cidade muito diferente da Lisboa das «comédias portuguesas». Fernando Lopes filmou, com enormes restrições orçamentais que, segundo o próprio, permitiram «uma enorme disciplina do olhar», a vida de um pugilista que conheceu algum sucesso nos anos 1960, tendo mesmo combatido no estrangeiro, mas logo regressou à miséria do bas-fond lisboeta.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Agradecimentos à BD Amadora 2017

A Chili Com Carne agradece publicamente ao Festival de BD da Amadora de 2017 por nos ter acolhido e por continuar a dar-nos prémios, epá!  Mostrando que há, sem dúvida, uma vontade deste festival em chegar ao público que não seja dos habituais "bedófilos" reaccionários.

Aproveitamos também as presenças do australiano Michael Fikaris e o brasileiro Alex Vieira (da Prego) em Portugal para apresentações públicas dos seus projectos. Obrigado a ambos. E também à Sílvia Rodrigues, Clube do Inferno e Sapata Press por terem aparecido com os seus zines...

Recuerdos dos dias passados:

...é o rap! Fikaris e Farrajota numa "battle" porcalhota

Fikaris e as fikarettes!

Vendendo a Alma ao comercialismo bacoco! Ga-ga-ga-ga...

Thanks Fikaris for the wonderful time in the Festival and outside the festival!!!




Garfield, o fofinho cínico com a Dama Fofura Mariana Pita... YEAH!!!!


Pato & Xavier a fazerem merda no autógrafos...

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Desastre urbanístico

Um lote de discos da Urbsounds! A Eslováquia é bastante dada às electrónicas e esta editora mostra um catálogo ecléctico que vai do Noise ao Techno, sempre com sabores contemporâneos, tal como a Thisco já foi neste rectângulo no principio do milénio.

Das últimas edições lançadas este ano temos o CD Sickening Digital Rainbows do italiano Venta Protesix - sim o mesmo desta k7! Zeus, se uma k7 da Urubu deixa dúvidas sobre o que fazer sobre um objecto, um CD nem tanto... Harsh Noise Digital Ultra-glitch puro, daquele que deixa o corpo bastante aleijado - isto é um eufemismo, uma vez que as células auditivas não se regeneram. Já não tenho idade nem paciência para isto, qual o limite de se ouvir música Noise? Se pudesse proibia o artista de ter acesso a computadores ou outros acessórios digitais durante seis-seis-seis meses para ele ver o que é bom para a tosse!

Também desagradável mas mais interessante é o LP do chinês Mei Zhiyong e do suiço Dave Phillips, dois monstrinhos do Noise. Será complicado perceber quem fez o quê quando se tem estes dois "noisers" a trabalhar em conjunto. Desconhecendo o trabalho do músico chinês, fico a adivinhar quais serão os sons de Phillips, suponho que sejam sobretudo as disrupções sonoras e os "field recordings" de centros urbanos, pesados, duros e "dark" - pelo menos é o que um gajo imagina quando ouve os seus discos. As partes mais Harsh Noise, serão de Zhivong?
Seja como for, este é o tipo de discos que se deve ouvir de manhã, a fazer o chá e as torradas, a tirar as fezes da caixa de areia da gata e quando se pensa, à janela, que a vida da cidade é de uma violência extrema. Tanta como este disco... Então, porque se leva uma coisas destas para o conforto do lar? Uma pergunta pertinente...

Dentro do Noise ainda há o CD Unspoken Misanthropic Narrator dos Hlukar que lembra os tempos da editora norte-americana Load Records e o seu catálogo de Noise Rock experimental e brutal. Se os Hlukar fazem barulheira com computadores e sintetizadores, a atitude deles é de Rock Reptiliano. É o género de música que poderia servir de banda sonora para ler as BDs do Musclechoo, graças aos seus ritmos de "moto-serra-ciclismo" e caos controlado de ruído industrial. Esta caminhada pós-apocalíptica prolonga-se em 30 minutos girinos, digo, giros, desculpem!



Nos últimos anos tem havido um "revival" de Techno Indústrial ou Pós-Indústrial e este Ordeal de Makkatu é isso mesmo que é. E é tão cinzento e frio como a capa do CD. Há muita gente a fazer disto não se sabe bem para quê na Era do Trap. Em 2017 ou em 1997 sempre será música chata. O mesmo não se pode dizer de Inter Alia (2016), um LP em vinil branco-padreco do duo Jamka. Sobre um Techno minimal parece haver mais mistério auditivo sobre cada uma das faixas, ou pelos surpresas e rotas inesperadas. Em vinil os sons tem mais profundidade e textura. Tenho de ouvir isto melhor, sem dúvida...

O melhor do pacote é sem dúvida a "mix-tape" (e é mesmo uma k7!) The Animal Musicians de DJ Zoologist - que é nem mais nem menos o nosso Camarada Balli! Pouco depois da polka bolonhesa, eis outra "mixtape" em que ele se vira para músicas feitas por ou com animais... Trabalho de recolha importantíssimo mesmo que falhe com algumas obras como o Kondole dos Psychic TV ou Plat du jour de Matthew Hurbert - embora aqui os animais sejam  torturados e cozinhados...
Temos os Beatles Barkers (vozes humanas a imitar cães a cantarem os "fab four"), cães (Caninus), papagaios (Hatebeak) e sapos (Amphibian) como vocalistas de bandas Grind/ Death / Hardcore, insectos e baleias com ajuda de gente importante como o Leonard Nimoy (o gajo do Star Trek, sim) ou Graeme Revell (SPK), gataria "gangsta" (Meow the Jewels), tudo numa grande orgia inter-espécie e inter-genéro. Talvez seria mais giro dispersar os materiais ao longo da mistura invés de concentrar, por exemplo, quatro músicas dos cães "beatleanos" embora, convenhamos, já aconteceu rir-me feito um louco com este excesso em filas de trânsito. A k7 é acompanhada por livrinho que explica as fontes do material misturado, textos que faz pensar sobre a condição do animal neste mundo antropoceno. Elvis is shellfish! Elvis is shellfish! Elvis is shellfish! (Puppetmastaz dixit)

Acedia @ Quimby's (Chicago)



Acedia it's the new graphic novel by André Coelho actually his true first solo book - Terminal Tower was a collaboration with Manuel João Neto... This book manages to strike a balance between experimentation and tradition in the "comics" field by establishing a paradox between the creative energy and the morbid atmosphere of the narrative. It can be speculated that the main character is an alter ego of the author or that some episodes should be autobiographical... but let's establish that we are in the realm of selffiction.

Acedia is this year the winner project of a graphic novel contest - Toma lá 500 paus e faz uma BD - promoted by Chili Com Carne. Other titles resulting from this contest includes The Care of Birds (2013 winner) by Francisco Sousa Lobo to be published in Spain next year, Askar, O General by Dileydi Florez and That which is Subtracted from Sight by Filipe Felizardo.





Sinopsis: Due to a strange body housed somewhere in his eye socket, Daniel suffers from perceptual deformations. Although the insistance on the urgency of medical treatments, he becomes confronted with the chance given by these hallucinations to escape towards a new perception of reality. Daniel will have to choose between facing his illness as a sign of his own mortality or accept it as life intensifier. 




Some pages:


104p., black and white, 18x24,5cm, 500 copies

Contest supported by IPDJ and all Chili Com Carne members.

Buy at Chili Com Carne online storeFatbottom Books (Barcelona), Neurotitan (Berlin), Quimby's (Chicago)...

History Released October 2016 at Lounge Lisboa with live-acts of Smell & Quim and Rasalasad vs shhh... ...


André Coelho (b.1984, Portugal) is an Oporto based illustrator and comic book author. For 10 years he has developed fanzines, short stories and four graphic novels to date, as well as posters, record covers, merchandising and other graphics for different music scenes. This includes Amplifest, SWR Barroselas Metalfest, Lovers & Lollypops, Witchcraft Hardware and the American Industrial label Malignant Records, among many others. 

In 2016 he was awarded with the first prize of “Toma lá 500 Paus” comic book competition and was part of the Amadora Comics Festival 2014 award winning anthology Zona de Desconforto. His work ranges from traditional drawing or painting techniques and mediums to collage and digital manipulation. 

Besides Portugal, his work has been exhibited in several countries such as Brazil, Sweden, United Kingdom, United States of America, Italy or Spain.

Selected English bibliography: SWR Chronicles (SWR; 2014), Terminal Tower w/ Manuel João Neto (Chili Com Carne; 2014), Evan Parker - X Jazz (c/ prefácio de Rui Eduardo Paes, Chili Com Carne + Thisco; 2015) Colective books: MASSIVE (Chili Com Carne; 2010), Destruição (Chili Com Carne; 2010), Futuro Primitivo (Chili Com Carne; 2011), Inverno (Mesinha de Cabeceira #23, Chili Com Carne; 2012), Antibothis, vol.4 (Chili Com Carne + Thisco; 2012), PostApokalyps (AltCom, Suécia; 2014), Quadradinhos : Looks in Portuguese Comics (Treviso Comics Fest + MiMiSol + Chili Com Carne, Itália; 2014).



It’s no longer I that liveth -:-:-:- National Prize for Best Portuguese Book in Foreigner Language .... now selling at Expozine Montreal and Quimby's



It’s no longer I that liveth 
by 
Franciso Sousa Lobo
was published by Mundo Fantasma in Porto 
and Associação Chili Com Carne 
- those were the only places where you can buy this book but now you can buy at Tryp stand at Expozine (Montreal) and Quimby's (Chicago)
.
303 limited edition 
88 pages 15,5x21,5cm
layout by Sofia Neto
this book was produced in Risograph on Munken Pure paper with 130g and 240g for the cover, which was laminated with ‘velvet’ plastic, the binding and finishing were made in Litogaia printing house
.
It's no longer I that liveth is a book about being thirteen years old in 1986. It portrays the life of Francisco Ferreira. It is set between Lisbon and Évora. Francisco Ferreira is at the worst of ages. He is at an age when the God of childhood is already dead, and no new God has come to replace him. An age when you no longer play and you don't have true friends yet. A nihilistic age. An age without anything. Nevertheless, Ferreira uncovers something, attaches himself to something.
.

Mundo Fantasma disclaimer: The underlying technology of the Risograph permits ink to pass into the voids of a very fragile perforated master. The Risograph produces work with an intensity close to that of silkscreen. Small misprints are common, and so is some smudging and variation between proofs, thus making each published book a single, stand-alone object. Our editions are quite small, normally in duotone and produced on site. These editions also include illustrated prints and other memorabilia. Some proofs are signed by the authors. 
...................................................................................

It’s no longer I that liveth 
por
Franciso Sousa Lobo
foi co-editado pela loja/galeria Mundo Fantasma
(no âmbito da exposição homónima do ano passado)
e pela Associação Chili Com Carne 
- sendo estes os únicos sítios onde o livro poderá ser adquirido
.
limitado a 303 exemplares
88 p. 15,5x21,5cm
layout por Sofia Neto
Este livro foi impresso em Risografia em papel Munken Pure de 130g para o miolo e 240g para a capa que foi plastificada com plástico “veludo”. O acabamento foi realizado na Litogaia.

It's no longer I that liveth é um livro sobre ter treze anos em 1986. Relata alguns meses na vida de Francisco Ferreira, entre a região de Lisboa e Évora. Francisco Ferreira tem a pior das idades. Uma idade em que o Deus da infância já não existe e não há ainda outro Deus que o substitua. Uma idade em que já não se brinca e ainda não se tem amigos verdadeiros. Uma idade niilista. Uma idade sem nada. Mesmo assim Ferreira descobre qualquer coisa, agarra-se a qualquer coisa.

Sobre a Risografia e as edições da Mundo Fantasma: a risografia faz passar a tinta para o papel através de um "master" perfurado muito frágil, produzindo resultados quase com a intensidade da serigrafia. São comuns pequenos erros de impressão, alguma sujidade e variações entre cada exemplar, tornando cada livro editado desta forma, um objecto único. As nossas edições são muito limitadas, habitualmente a duas cores e produzidas dentro de portas. Incluem geralmente estampas ilustradas e outra memorabilia. Alguns exemplares estão assinados pelos autores.

FEEDBACK:  


Os textos dele lembram-me muito alguns livros do James Joyce!
Goran Titol

Menos do que um Bildungsroman, It's No Longer That I Liveth é uma demolição da personalidade, uma mortificação, para nela tentar ver se existe alguma fagulha ainda sobrevivente...

Lobo uses more often than not very regular page compositions, with strict grids or simple panel divisions, and within the panels he explores many non-naturalistic approaches. His characters are constructed with minimalist, thick black loose lines. The backgrounds can appear with a few details, but they’re quite often reduced to landscapes and interiors straight out of a Donald Judd catalogue. Printed in Risograph in black and yellow, this book continues the artist’s usual work in two colors. It would be tempting to color-code each title, perhaps finding in this yellow, at one time, the bright, disseminated sunlight of the Summer in Alentejo, in Southern Portugal, a blinding inner light that comes from God and which confronts Francisco with the possibility of the end of his own faith in it, but it is also possible that these are somewhat abusive interpretations. In any case, yellow reinforces the reduced, flattened dimensionality of the visual field.

Prémio Nacional para Melhor Álbum de autor português em língua estrangeira pela BD Amadora 2017

Os Acrobatas / The Acrobats @ Quimby's


Finalmente, a estreia de Marcos Trindade!!!

Depois de tantos anos ignorados pelos editores nacionais eis uma primeira obra sua, datada de 2010, publicada pela (só podia!) MMMNNNRRRG.

Daqui a 100 anos, investigando o que foi as primeiras décadas deste milénio será impossível apagar a enorme corrupção das nossas actuais classes políticas, tal é a quantidade de registos que mostram a javardice dos nossos dirigentes, em que este livro será mais um testemunho deste nosso sofrimento.

Como muitos livros nossos em que a superfície engana a profundidade dos conteúdos, infelizmente, muitos olharão para Os Acrobatas como um manual de auto-ajuda para os "(blow)jobs for the boys" que queiram subir ao céu. A queda no entanto será fatal...

A MNRG agradece ao Tiago Manuel por nos ter colocado em contacto com o autor.

...
Edição limitada a 700 exemplares. Livro em acordeão impresso a cores. 34 páginas A6. 
Design de Joana Pires
Redigido em português e com tradução em inglês no verso da contra-capa.

PVP: 10€ (descontos para sócios da Chili Com Carne, jornalistas e lojas) disponível na loja em linha da Chili Com Carne e na Tasca Mastai, Artes & Letras, Letra Livre, Mundo Fantasma, Matéria Prima, Quimby's (Chicago), Linha de Sombra, Pó dos Livros, Seite Books (Los Angeles), Fatbottom Books (Barcelona), Monte-de-L'Air (Paris), Stet, MOBLouvre MichaelenseLAR / LAC e Quimby's (Chicago).  
...

Historial: lançamento no dia 6 de Fevereiro 2016 na Snob, em Guimarães ...









Feedback: 
Tal como outros M.T./T.M., há também nesta obra um mesclado entre a pintura, o livro ilustrado e a banda desenhada. (...) 
Nuno Sousa 
...
 Num formatinho pequeno, faria recordar uma espécie daqueles foles de postais que se vendiam há uns anos, junto a monumentos ou paragens pitorescas, ofertando várias perspectivas ou facetas do que o título apresentasse. Os acrobatas, se for lido assim, oferece então várias faces de uma realidade hodierna da nossa sociedade, a de uma classe de pessoas que ocupa a paisagem social e a tingem com uma cor difícil de lavar. (...) Os assuntos de Os Acrobatas poderão ser identificados como graves: a adaptabilidade de uma certa classe de colunáveis da mundanidade (dos círculos mediáticos, económicos, políticos, talvez, nem sempre é claro, mas Trindade gostaria que esses fossem entendidos como tendo circunferências fluidas e com – demasiados? – pontos de passagem), a pedofilia, o compadrio político, os sinais exteriores de riqueza como sintoma de desequilíbrios na restante população, clichés que levam a que, como reza a famosa canção de Sérgio Godinho, “Só neste país é que se diz: só neste país”.
Pedro Moura in Ler BD
...
Um livro-harmónio cujas imagens ilustram, entre a ironia e o sarcasmo mais violento, uma certa podridão moral que tem atravessado algumas esferas da política contemporânea, a dos jovens (e não tão jovens) que entram na política por exclusivo interesse próprio, destruindo a ideia do governo da pólis e erguendo, no seu lugar, o ritual diário de se autofavorecerem sem nenhuma preocupação com a comunidade.
Blimunda