sábado, 30 de setembro de 2017

Punk Comix - BD e ilustração no punk português @ Louie Louie

cartaz de André Coelho


Depois da Feira do Livro de Lisboa e Disgraça, e de uma rápida passagem pelo LAR, no Algarve, eis que chega a hora de lançar “oficialmente” o split-book CORTA-E-COLA / PUNK COMIX no Porto – cidade onde este “movimento” teve resistências a surgir mas que nos dias de hoje poderá vir a ser a Capital do Punk, já que em Lisboa tudo é para turista ver...

Inaugurou no passado dia 16 de Setembro, na Louie Louie [Rua do Almada, 307] uma pequena exposição de artefactos Punk ligados à BD e Ilustração, contando com capas de discos (Cães Vadios, Subcaos, Corrosão Caótica...), originais de BD (Raridades) e publicações DIY como o Ezequiel, PxC fanzine, Ritmo, Buraco, Ganmse, Boring EuropaSangue Violeta... Objectos vindos quase todos directamente das colecções privadas dos autores do livro, Afonso Cortez e Marcos Farrajota, que estiveram presentes a beber umas bejecas enquanto o GG Ramone tocava!

Do que poderão ver chamamos já a atenção para duas peças EXCLUSIVAS: um original raro de Nunsky da BD Inadaptados, publicada no zine Mesinha de Cabeceira #4 (Jan'94), e a nunca antes vista primeira versão da capa do LP “Rock Radioactivo” dos Mata-Ratos, desenhada por Nuno Saraiva e imediatamente reprovada pela EMI e pela banda por acharem que algumas personagens - João Peste, Jorge Bruto - poderiam estar demasiado reconhecíveis e criar problemas. O autor de seguida fez a mesma composição mas todos travestidos de ratos, versão essa também recusada por evidenciar um skinhead esmagado por uma bomba…


Agradecimento especial ao André Coelho, Louie Louie, GG Ramone, Nunsky e Nuno Saraiva.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

ccc@FOMO


A selection of our books are with Francisco Sousa Lobo in a table at FOMO
Go there spend some quid! Or some squid...



FOMO: Falmouth Art Publishing Fair 2017 is organised by Gillian Wylde, Carolyn Shapiro, Maria Christoforidou and Neil Chapman. It is a project in collaboration with Falmouth Art Gallery, showcasing and promoting publishing as an expanded practice; bringing artists, performers, musicians, illustrators, historians, graphic designers, writers, thinkers and poets into dialogue with the public and with each other towards new and unexpected working partnerships.

FOMO: Falmouth Art Publishing Fair – Falmouth Art Gallery, Friday 29th September to Sunday 1st October 2017.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

DUELO DJ ... life is a simple mess release party ... DAMAS ... 28 SET ... ai ai ai


O DUELO DJ mais improvável:

Travassos, o sacrossanto ideólogo do bom gosto, da seriedade e do minímal!
unDJ MMMNNNRRRG, a grande besta do mau gosto, da bandalheira e do "maximal"!

Depois de um lançamento frio e civilizado do livro LIFE IS A SIMPLE MESS (colectênea de capas desenhadas por Travassos + CD) no Jazz em Agosto com a presença do simpático Nate Wooley (que assina texto do livro) EIS QUE o autor (TRAVASSOS) e o editor Marcos Farrajota (é ele o unDJ MMMNNNRRRG) começaram à bengalada! Separados pelos amigos e postos em segurança (embora um deles teve de levar uns pontos nas urgências), um atirou a sua luva branca (estranho, era Verão!) à cara do outro e foi decidido um DUELO até à morte!

Armas escolhidas: discos áudio!

Local e Hora : na Capital portuguesa, mais especificamente no DAMAS, na Quinta-Feira de 28 (vinte e oito) de SETEMBRO.

São precisas testemunhas para saber quem merece a vitória justa e limpa!

ENTRADA LIVRE

o VJ Disléxico ou Pitosgas ou EXTRABIC tentará distrair as testemunhas...

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

sábado, 23 de setembro de 2017

Não pula



O Terceiro Corno (A Giant Fern; 2017) é a segunda k7 dos Zarabatana, onde a surpresa diluí-se e a entidade se mistura com outro projecto - culpa de Bernardo Alves que abriu a boca com neo-primitivismos que se conheceram em Alförjs. Estes lançaram antes de Zarabatana, também o seu segundo registo, em CD, Demons I pela Shhpuma - mais uma vez, há editora portuguesa mais atenta que esta? Não deveria ter começado por escrever sobre Alförjs então? Não sei, andei a adiar estas resenhas porque não estou inteiramente feliz com estes "segundos difíceis discos" comparando com os de estreias.
O Corno parece manso e os "Demónios" muito curtos, há repetições de territórios mapeados nos primeiros discos e basta o Alves abrir a boca em Zarabatana para achar que me enganei no disco. Que tal fazer uma super-banda? O Quinteto Zarabörjs?
Apesar desse pormenor irritante é de destacar a gravação ao ar livre nas matas de Sintra pelos Zarabatana, sentindo-se algo realmente "free" no registo. Sei que fui contaminado pelo video "making of" mas desde que comecei a ouvir o "disco" em "download" (invés da k7) sabia que havia algo de estranho no som da gravação. O som límpido do digital permite perceber de que se trata de uma bela de uma bofetada para muita gente que perde tempo e dinheiro em estúdios! Muito bom!
O tema Ajuba do Demons I quase que faz o disco, é totalmente voodoo crazy, uma bomba! Acho que vou meter o LP dos Macumbas à venda que não bate tanto como estes demónios do Sul... De resto, soa a pouco o CD mas o pior é o artwork do CD que é uma valente cagada, nem percebo porque raios o Travassos deixou isto passar... Estavam a pensar para o formato grande de um LP!? Pois, pois, erros destes havia nos anos 90! Estamos em 2017, pessoal, por favor...
Quanto a Zarabatana houve uma mudança visual da capa da primeira k7 prá esta segunda com uma imagem mais identificável com a África negra. É bem sacada mas prefiro o aspecto mais "abstracto" da primeira k7 justamente para não colocar a música em continente algum. Entretanto no bandcamp mudaram a capa da primeira k7, muito parecida com a segunda, temos Estalinismo a limpar o passado!?
Apesar dos pecadilhos de quem não sabe a bela arte de editar (oh oh oh), ainda assim estas bandas são da melhor música que se faz em Lisboa.

ccc@materiais.diversos.2017


Até 23 de Setembro, temos uma selecção de edições nossas no festival Materiais Diversos! Ide lá!

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

QCDA #2000 últimos 23 exemplares!



Cover - Hetamoé

Sketch - Sofia Neto

Embrenhadas em procuras, vagueando fora do tempo, as Quatro Chavalas do APOPcalipse [Sofia NetoSilvia RodriguesHetamoé e Amanda Baeza]
vêem os percursos cruzarem-se, conjuradas pela Chili Com Carne. 
Desse encontro resulta o QCDA#2000, uma antologia de BD em formato A3. Tal como no QCDA #1000, que o precede, cada uma encontra em quatro páginas o espaço para mostrar a sua procura, seja ela de uma identidade dupla, de sobrevivência de sentido num mundo próximo da ruína, de verdade entre aqueles que não a querem ver ou de amor entre bosques densos em que a voz se perde.






Lançada no Alt Com Festival [Malmö, Suécia] e na 1359 [Lisboa], esta edição foi apoiada pelo IPDJ e pelo Alt Com

FEEDBACK: Quem está familiarizado com as publicações da Chili Com Carne poderá estranhar a capa, uma miscelânea colorida de personagens femininas que podiam ter saído de um episódio mais violento da Candy (...) encontrará uma amostra significativa da qualidade e dos caminhos de experimentação e desafio que alguns novos autores portugueses de banda desenhada parecem querer trilhar. Sara Figueiredo Costa / Blimunda ... (...) como grande projecto, estas peças das quatro autoras preenchem toda a sua superfície e profundidade. Pedro Moura / Ler BD ...  feedback positivo ao projecto QCDA no Sketchbook #7  ... 

ver todo o zine:

QCDA #2000 last 23 copies

Cover - Hetamoé

Sketch - Sofia Neto
Still with burning fingers from the bonfire, Sofia Neto, Silvia Rodrigues, Hetamoé and Amanda Baeza grubbed up carbonized remains of old stories. 
And they say 
"We are not looking for treasures or answers."
Oh! Their efforts and wanderings may seem so futile! Purposeless at first, and even their flesh garments meaningless! But look further. Yes. Look thoughtfully. Even without a battle or mission there is an incorporeal ambition in them. They know that nothing rises from rotten bodies.








Buy HERE and Ediciones Valientes (Spain), Fat Bottom Books (Barcelona), Orbital (London), Quimby's (Chicago) and Seite (Los Angeles)

Released in Alt Com Festival [Malmö, Sweden] ... supported by IPDJ & Alt Com


read it all here:

domingo, 17 de setembro de 2017

ccc@feira.do.livro.do.porto.2017


A Chili Com Carne está presente na Feira do Livro do Porto.

Este ano não estamos com a Matéria Prima como tem acontecido nos últimos anos mas a dividir um stand com a gentil Blau, uma livraria e editora de arquitectura. Uma parceria improvável mas que irá permitir uma maior exposição das nossas edições neste importante evento cultural desta amada cidade!

até 17 de Setembro encontrarão os nossos livros com promoções / livros do dia, etc... - no stand número 15 e ainda haverá sessões de autógrafos nas traseiras do stand, sempre às 18h. Eis os autores que estarão presentes:


Dia 2: RUDOLFO






dia 9: TIAGO MANUEL (com Max Tilmann, Mariette Tossel e Marcos Trindade)






quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Toing Toing Toing Toing Toing Toing Toing Toing Toing

Faz parte dos prazeres maiores de ser editor, além de lançar livros bonitos pró mundo, é receber uma vez ou outra uns mimos dos artistas editados ou associados. Foi o que me aconteceu no mês passado. O Nate Wooley esteve no Jazz em Agosto e foi lançado o Life is a simple mess de Travassos onde ele participa com um texto. No lançamento do livro ofereceu-me este Seven Storey Mountain V (Pleasure of the Text; 2016), um registo ao vivo de uma massa improvisada de Noise por um batalhão de músicos sobretudo de metais / sopro. Imaginem se Ligeti e Xenakis tivessem voltado do mundo dos mortos com uma fanfarra muito muito mas muito chateada. Os quase 50 minutos são de magia sonora que só quebra quando ouvimos aplausos da audiência no final do disco e que é nos diz que infelizmente voltámos à realidade. O que parece ao calhas nesta "random music" (como é gozada a cena Improv) acaba por fazer sentido na progressão da música incluindo até "o-quer-que-seja-o-instrumento-em-agonia" que aparece no minuto 30 para a frente. Disco sólido! Sólido ou sórdido!?

Com nome de banda Rock, nada mais oposto. Big Bold Back Bone e o seu In search of the emerging species (Shhpuma; 2017) é realmente banda sonora para o fundo do mar cheio de criaturas com ar assustador e fluorescente. É um disco mesmo muito má "trip", na linha de Pão e outros projectos de Travassos - tal como se pode ter uma ideia holística  do seu trabalho no CD que acompanha o Life is a simple mess. Ah! sim, a capa também vem no livro em grande que bem merece!
Ao contrário do disco de Wooley, a música "random" é aqui assumida e é mais difícil de situarmos a narração - os guinchos de ratos a partir do minuto 12 já não vêm tarde? Já não saltámos do porão e não devíamos estar em apneia nesse minuto em concreto? Ah! O Luís Lopes entra nisto! Afastar este disco de crianças e animais...

Por fim, e provando que se há editora portuguesa atenta ao mundo essa é a Shhpuma, eis Bibrax de Raphael Vanoli, um CD de nove peças de guitarra hiper-amplificada, tanto que ao que parece Vanoli basta soprar nas cordas que obtém logo música. Esta atitude artística é inspiradora, mais que a música imaginamos logo novos horizontes musicais ou situações de acidente - olha alguém a subir ao palco dele num concerto, sacar da guitarra para tocar uma malha de Immortal e deixar a audiência surda para sempre? Mas esqueçam lá isso, a música aqui é frágil e "sunset", como se fosse um avatar de Durutti Column cagasse para ritmos, vozes e Pop. É música de sofá... e ao vivo, se o Travassos ("boss" da Shhpuma) deixar-me entrar depois de ler esta resenha. Vá lá, eu juro que não sei tocar Immortal!

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

O Desenhador Defunto ---------- ESGOTADO


Volume da Colecção CCC... The Dying Draughtsman / O desenhador defunto de Francisco Sousa Lobo é o primeiro livro de BD a solo nesta colecção e realmente é o primeiro romance gráfico no catálogo da Chili Com Carne!

O autor foi premiado em Outubro de 2013 no nosso concurso interno "Toma lá 500 paus e faz uma BD" com um trabalho que foi publicado em 2015, mas antes saiu este "desenhador defunto" que deu que falar para quem se atreveu abri-lo! Mas cuidado, não devem abanar muito o livro nem engoli-lo com riscos de graves para a sua saúde, riscos esses mais agudos e perfurantes que ler Will Self, Aldous Huxley e Graham Greene todos juntos e ao mesmo tempo.

O trabalho de Francisco Sousa Lobo, no campo da banda desenhada, tem sido esparso e dilatado no tempo, mas não é de forma nenhuma negligenciável, sendo alguém que vai ocupando o seu espaço de um modo tranquilo e certeiro, com uma produção pouco dada à espectacularidade e aos géneros mais usuais. Em termos tópicos, The Dying Draughtsman / O desenhador defunto (…) centrar-se-á precisamente nesse diálogo, e no espaço de tensão existente entre ambas as áreas. Francisco Koppens é um funcionário de um escritório de arquitectura, antigo projectista que agora se vê obrigado a trabalhar com programas digitais com os quais não se dá muito bem, numa Londres aparentemente inóspita a este imigrante português. É possível que haja projecções auto-ficcionais da parte do autor, mas não sendo isso nem explícito nem confirmável através de outras informações textuais, é questão de somenos (no entanto, a bem da correcção, leia-se a breve correspondência do autor com Hugo Canoilas, no fim do volume, para abrir pistas nesse sentido). Se temos alguma oportunidade para ir compreendendo algumas das crises da vida pessoal e quotidiana deste Francisco – o trabalho que corre cada vez pior, a distante relação com a mulher, a pressão da herança católica, inescapável e doentia -, é a sua posição enquanto corpo face à arte que ocupa o lugar central do livro.

Francisco Koppens parece dedicar a sua vida mais íntima, e os momentos livres, a uma obra de banda desenhada, que mescla ficção científica e social (uma sociedade no ano 3000 em que uma ditadura de mulheres terá quase exterminado os homens e mantém um poder fascista sobre a terra), possível forma de expiação dos seus pecados. Nesse sentido, Koppens tem alguns laivos de obsessivo similares à vida e obra de Henry Darger, se bem que esta personagem de Sousa Lobo aparente ainda algum grau de integração e comunicação com o mundo, pelo menos simulando algum aspecto de “normalidade”. No entanto, jamais temos acesso a essa obra propriamente dita: com a excepção de algumas vinhetas pela mesma mão do autor/narrador, o que nos leva a pensar ser somente uma projecção mental de Koppens. As pranchas desenhadas por este (uma banda desenhada dentro de uma banda desenhada) aparecem sempre com estruturas regulares mas de vinhetas ora despidas ora totalmente cobertas a negro, com linhas sobrepostas e riscadas. (…) Pedro Moura in Ler BD

_-_-_-_

Design de Joana Pires
128p. 16,5x23 cm a duas cores
500 exemplares
ISBN 978-9898363-22-0

Historial : O livro foi lançado oficialmente no dia 1 de Novembro 2013 na Galeria Kamm, em Berlim ... Originais na exposição Abecedário Ar.Co 40 anos no Museu do Chiado ... Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal ... Seleccionado por Pedro Moura como um dos cinco dos melhores livros portugueses de BD (2013) no site de Paul Gravett ... BD de Lobo na Art Review ... Nomeado para os Troféus Central Comics 2013 para melhor Livro, Argumento e Desenho...Originais expostos no Festival de BD de Treviso ... nomeado para Prémios da BD Amadora para melhor Livro, Argumento e Desenho...

Talvez ainda encontre exemplares na Fábrica FeaturesMundo Fantasma, Matéria PrimaTigre de Papel e LAC (Lagos).

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Podem ver aqui as primeiras páginas:

Feedback:

já li O Desenhador Defunto, nunca tinha lido nada assim, acho que amanhã vou ler outra vez, é capaz de ser um dos melhores livros publicados pela Chili, e um dos melhores do ano. 
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isto é mesmo o melhor livro da Chili. Perfeita simbiose entre arte e argumento, sem nenhuma ofuscar a outra e que no final não te deixa simplesmente arrumar o livro. 
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Se Duchamp havia descontextualizado e recontextualizado os seus trabalhos através da fotografia, Sousa Lobo fá-lo agora através da BD. 
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um dos melhores livros nacionais desta última década 
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It seems that comics finally provide Koppens, and his creator Lobo, with the style and method to write that postponed suicide note, as the remarkable graphic novel The Dying Draughtsman 
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O efeito gráfico vinca a sensação que o protagonista é ele mesmo parte de uma exposição, que a sua vida é a sua Arte, o livro uma meta-galeria onde espectadores/leitores comentam as suas desventuras. Ou, em alternativa, que a sua loucura é irremediável. O estoicismo da composição retangular e o desenho quase anódino contrastam admiravelmente com a violência extrema que fervilha logo abaixo da superfí­cie, nas reflexões e nas BDs incompletas de Francisco (Koppens). (...) Mas tudo isto são apenas elementos adicionais para um livro surpreendente, que estimula tanto pelos diálogos que tenta, como pelos silêncios que não resolve. 
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É sem dúvida um acto de coragem esta partilha e exposição de acontecimentos tão pessoais e tão pouco explanados habitualmente, até mesmo com uma enorme tendência para serem escondidos e ignorados pela sociedade em geral. (...) a leitura não deixa de causar um ou outro arrepio... Leitura altamente aconselhável.
Universo BD 
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um resenha sexy no Gerador e aqui
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Pero más allá de eso parece, sobre todo, una obra de autodescubrimiento a través de la ficción. Francisco, el protagonista, vive en una permanente insatisfacción. No entiende el arte de galería, no consigue avanzar en su cómic —cada página acaba siendo un bloque de viñetas en negro que tiene que romper y tirar—, su mujer no le habla desde hace diez años y en el trabajo están a punto de despedirle. El monólogo interior nos revela a un hombre extraño, religioso, con dificultades para socializar, nervioso y desconfiado. (...) Hay algo contemplativo que recuerda a ciertos mangas, y, de hecho, el mismo Sousa Lobo menciona una hipotética visita a una convención de Tsuge que no puede interpretarse más que como una inspiración. Ciertos recursos gráficos subrayan la pérdida de contacto con la realidad de Francisco, pero como parte de un tono gráfico tan neutro, todo se consigue de un modo muy sutil y orgánico. Hay un momento en el que nos damos cuenta de que no podemos estar seguros de que todo lo que hemos leído que otras personas le han dicho a Francisco sea cierto, porque, al verlo todo a través de él, es imposible separar su paranoia de la realidad; de hecho, la realidad no existe en este tebeo. En ese momento reevaluamos toda la lectura, y es entonces cuando este cómic alcanza su verdadera altura. Se trata de una reflexión sobre la mediocridad, las aspiraciones frustradas de artista y la locura como una etiqueta social. Lo que para todo el mundo es una alucinación, para Francisco es una sólida realidad. 
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domingo, 10 de setembro de 2017

O Subtraído à Vista / That Which is Subtracted from Sight [metade da edição esgotada]




O Subtraído à vista é o livro de estreia para as massas do músico e artista visual Filipe Felizardo, composto por prosa, banda desenhada e recortes de investigação patafísica.

É um livro que estuda a natureza das imagens visuais e as presunções da percepção - do ponto de vista particular de um homem cego, uma criança albina presa numa caverna com uma avestruz, e uma colecção de outros animais cujo olhar nos ensina algo sobre o que não se vê.

O livro inclui a participação de Carlos Gaspar (ilustrações) no primeiro capítulo. Edição bilingue com legendas em inglês.

Comprising prose, comics and entries of pataphysical investigation, That which is Subtracted from Sightthis first book of Filipe Felizardo studies the nature of visual images and the presumptions of perception - from the exquisite points of view of a blind man, an albino child stuck in a cave with an ostrich, and a collection of other animals whose sight teaches us something about what is not seen.

The book includes English subtitles.

500 ex.; 72p. 21x27cm p/b
ISBN: 978-989-8363-37-4

Este é o segundo livro publicado no âmbito do concurso Toma lá 500 paus e faz uma BD! mais uma vez não é um trabalho vencedor mas sem dúvida merecedor de publicação.

PVP: 10€ (50% desconto para sócios da CCC, lojas e jornalistas) à venda na loja virtual da Chili Com CarneEl Pep, Letra Livre, BdMania, Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristovão, Lx), Tasca Mastai, Artes & LetrasMatéria Prima, Mundo Fantasma, Pó dos Livros, Inc, Stet, LAC, Linha de Sombra, FNAC, Bertrand, Utopia...

Historial: Lançamento com exposição de originais na El Pep no dia 8 de Agosto 2015 e Festa no Damas ...

exemplos de páginas:


sábado, 9 de setembro de 2017

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

The Dying Draughtsman --- SOLD OUT


The Dying Draughtsman
by
Francisco Sousa Lobo

Sinopsis: Francisco Koppens has a dying profession, a dying religion, lives in a dying home and has dying thoughts. He is a Portuguese architectural draughtsman living in London who believes he is destined to commit suicide. He talks to his wife but she doesn’t answer back. He does erotic comics as a private compulsion, only to cover them with black ink at the end. He ends up with black monochromes which he then tears to bits. The sign of the monochrome as self censorship permeates Koppens’ life. He visits endless art exhibitions, only to be smitten by dread and doubt. We follow him from depression to psychosis, and then back to a sort of starting point.

The Dying Draughtsman could be described as a fictive construction built on real, personal events lived through the life of the author.

Francisco Sousa Lobo does comics, fine art and writing, and lives in London. The Dying Draughtsman is his first graphic novel.

Critical reception: 

Chosen as part of the 10 best books of 2013 by Sara Figueiredo Costa, in the newspaper Expresso ... 
Francisco Sousa Lobo's production is inclined towards forms of comics internal interrogation, especially in their narrative form. An excellent bookPedro Moura in Ler BD 
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If Duchamp de-contextualized and re-contextualized his works through the use of photography, Sousa Lobo does it now through comics - Gabriel Martins in Rua de Baixo 
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Unpredictable and haunting, stimulating and engaging - Paul Gravett 
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Perfect symbiosis between art and writingAndré Coelho 
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One of the best books of the yearDavid Campos
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I really like it, it reminds a part of the world of Sammy Harkham and a touch of Theo Ellsworth (for the story). - Nicolas Grivel
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One of Best Portuguese Comics 2013 by Pedro Moura in Paul Gravett site 
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It seems that comics finally provide Koppens, and his creator Lobo, with the style and method to write that postponed suicide note, as the remarkable graphic novel The Dying Draughtsman - Paul Gravett in Art Review
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thanks again for The Dying Draughtsman! Not an easy read... a bit too close for comfort, as they say... but very well told. Marcel Ruijters 
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Pero más allá de eso parece, sobre todo, una obra de autodescubrimiento a través de la ficción. Francisco, el protagonista, vive en una permanente insatisfacción. No entiende el arte de galería, no consigue avanzar en su cómic —cada página acaba siendo un bloque de viñetas en negro que tiene que romper y tirar—, su mujer no le habla desde hace diez años y en el trabajo están a punto de despedirle. El monólogo interior nos revela a un hombre extraño, religioso, con dificultades para socializar, nervioso y desconfiado. (...) Hay algo contemplativo que recuerda a ciertos mangas, y, de hecho, el mismo Sousa Lobo menciona una hipotética visita a una convención de Tsuge que no puede interpretarse más que como una inspiración. Ciertos recursos gráficos subrayan la pérdida de contacto con la realidad de Francisco, pero como parte de un tono gráfico tan neutro, todo se consigue de un modo muy sutil y orgánico. Hay un momento en el que nos damos cuenta de que no podemos estar seguros de que todo lo que hemos leído que otras personas le han dicho a Francisco sea cierto, porque, al verlo todo a través de él, es imposible separar su paranoia de la realidad; de hecho, la realidad no existe en este tebeo. En ese momento reevaluamos toda la lectura, y es entonces cuando este cómic alcanza su verdadera altura. Se trata de una reflexión sobre la mediocridad, las aspiraciones frustradas de artista y la locura como una etiqueta social. Lo que para todo el mundo es una alucinación, para Francisco es una sólida realidad. The Watcher and The Tower 
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Design: Joana Pires 128p. 16,5x23 cm two colour - 500 copies - ISBN 978-9898363-22-0

Book released in Galerie Kamm, Berlin ... Auto-Critical Comix in Art Review ... Exhibition of originals in Treviso Comics Festival ...

Maybe you still can find it in Quimby's (Chicago), Gosh Comics (London), Orbital (London), Lambiek (Amsterdam), La Central (Spain), Neurotitan (Berlin) and Seite Books (Los Angeles)

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Here's some pages:

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Já não há maçãs no Paraíso

Max Tilmann
edição / published by MMMNNNRRRG; 2007
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128p. 2 cores, 25x20 cm ao baixo, capa dura 2 cores / 128 p. 2 colours print, 25x20cm hardcover book
ISBN: 976-972-98527-5-6
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folheamento de livro aqui / browse the book here
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Segundo livro de Max Tilmann em Portugal. Pintor e dramaturgo, nascido a 4 de Abril de 1955 em Oldenburg (Alemanha). Estudou na Academia de Artes de Düsseldorf, influenciado pela obra e pela personalidade de Joseph Beuys. Vive em Londres desde 1985.
New book of Max Tilmann, painter and playwright, born in Oldenburg (Germany) on April 4th, 1955. He studied at the Arts Academy in Düsseldorf and was influenced by the work and personality of Joseph Beuys. He has been living in London since 1985.
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à venda na Chili Com CarneBdManiaFábrica Features, Letra Livre, Matéria-Prima, Mongorhead, Mundo Fantasma, Purple Rose e Pó dos Livros
International bookstores: Panta Rhei (Madrid), Neurotitan (Berlin), Timeless Shop (France), Sarvilevyt (Finland), Seite Books (Los Angeles) and Praxis (Berlin).


Feedback:

É na terra que tudo se constrói, mesmo as possíveis representações do céu. Se no livro anterior Max Tilmann invocava as palavras do profeta Jeremias, colocando a memória e a responsabilidade no centro de toda a hipótese de redenção, neste novo opúsculo é de William Blake a epígrafe que fornece as linhas de leitura: “O que é o homem?/ Toda a Luz que o Sol mostrar/ Depende do nosso Olhar”. As composições que mostram pessoas em diferentes momentos da sua vida sexual e da expressão do seu corpo – e que poderiam corresponder a uma ideia literal do ‘pecado original’, a maçã que expulsou Adão e Eva do paraíso – alternam em sequência com as imagens que parecem elencar os pecados do mundo: terrorismo, discriminação racial, estigmas sociais, doença mental, perigo nuclear, tudo o que a cruz não redimiu (e por vezes, assumida noutros sentidos, apenas agravou). Não há paraíso algum quando olhamos à volta, quando acompanhamos a sequência de imagens de Tilmann. Dependerá do nosso olhar, como se lê em William Blake, e dependerá sobretudo do que pudermos fazer com a responsabilidade e a memória do mundo que se encontram no eixo da retórica plástica e narrativa de Tilmann. Mas para o olhar que literaliza a ideia do pecado original, a maçã é apenas uma maçã, e muito provavelmente estará putrefacta. (pontuação máxima 10) Sara Figueiredo Costa / Os Meus Livros
...
Se a maçã (do Paraíso) deve ser entendida como não somente o fruto proibido mas como aquele fruto que nos daria acesso ao conhecimento do Bem e do Mal, ou seja, um Verdadeiro Conhecimento, e portanto Para Além do Bem e do Mal, então poderemos ler este título de ecos tão bíblicos quanto o anterior como indicando ser possível um retorno ao Paraíso, através, quiçá, da sua reconstrução na terra, permitida pela tecnologia (um Paraíso 2nd life?), mas no qual jamais se poderá esperar reencontrar esse acesso, pecaminoso ou não. Não é possível saber. Tudo nos é permitido, mas é-nos vedado ser. (...) Pedro Moura / Ler BD


(...) O traço impulsivo e carregado faz lembrar, a alguma distância, as gravuras pré-históricas, mas transferidas para um moderno contexto apocalíptico como se os desenhos houvessem sido produzidos não pelas testemunhas das hecatombes ilustradas, mas pelos descendentes desses sobreviventes: serão, por conseguinte, objectos sagrados porque perpetuam a memória de um modo mítico. Não são documentos objectivos, como gravações de som e imagem conservados para análise futura, mas tótemes (...) David Soares 
... 
Será que já não existem maçãs no Paraíso? Max Tilmann (...) diz que não. (...) as imagens levam-nos a equacionar se existirá ou não um paraíso (...) Todas as possibilidades fazem parte deste livro que para além de quase bíblico é bastante metafórico Umbigo
...
[tu in tam celo na dela Michela Basquiata, saj razlicne resnicnosti] ... Tilmann’s anti utopic graveyard gives the impression, that the author was associatively filling his sketchbook with his images, to publish them later such as they were – drawn quickly and expressively. Stripburger
...
Such wonderful book!!! Trey Spruance
...
I really enjoyed the book (...) the art is really incredible Aaron Gonzalez
... 
The shock value of the images is horrific. There are references to every crime known to humanity and social problem. The way they are framed in a brutish painting style lends the subjects a sterile anonymity that frees us from the pain of witnessing, enduring. Aaron $hunga
...
Excellent printing, I love the way the red and black colours are used. powerful drawings too. The Ex


Historial: Oficialmente lançado a 29 de Novembro na Almedina Atrium Saldanha com apresentação de João Paulo Cotrim ... Seleccionado como um dos 20 melhores livros editados em 2007 pela revista Os Meus Livros (Jan'08) ... Nomeado para os Prémios Central Comics (2008) ... Vencedor de um prémio TITAN (2010) ...

domingo, 3 de setembro de 2017

You'll never grow-up...


Não sei como se passa de uma banda de treta para uma das melhores deste país mas é isto o que aconteceu com os 10 000 Russos. Eis o segundo disco - Distress Distress (Fuzz Club; 2017) - em formação psy-kraut-post-rock-power-trio e nada esmoreceu, nada deteriorou, nada se perdeu. O disco é sólido como um tanque Kliment Voroshilov, sabiamente cabrão como o Putin, implacável como o Estaline e alucinado como o Rasputin. Máquina de drone orgânico que gera música perfeita para conduzir de carro com um gole de whisky a aquecer o estômago, ah, o mundo é uma merda mas de carro a bombar este disco, tudo parece calmo e estar bem... bem sabemos que não é bem assim, nada está porreiro na vida mas dentro do conforto da viatura num final da tarde em rota contrária dos merdinhas suburbanitas se nenhum gajo for a 50 km à nossa frente e nenhum sinal vermelho aparecer, até um gajo se esquece da cor do cócó do bébé, da desilusão que foi a queca com a amante secreta, que o "boss" anda a micar que te estás a cagar prós objectivos da semana, que A Guerra dos Tronos já não vale nada, etc... F*da-se, que álbum!

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

O meu Nelson Mandela e outros contos / na Neurotitan (Berlim)



Papá em África morreu!
Viva Papá em África!

Anton Kannemeyer, que também assina como Joe Dog na melhor tradição punk do uso de pseudónimos podres, nasceu em 1967 na Cidade do Cabo, África do Sul, onde reside com a sua mulher e filhos. Fundou em 1992 com Conrad Botes a Bitterkomix (17 números até à data), publicação onde a sociedade africânder nunca sai ilesa de crítica.

Como artista plástico, tem feito exposições em importantes instituições como o MOMA (Nova Iorque), o Museu de Arte Contemporânea da Austrália, MU (Eindhoven), Museu de Arte de Seul, MHKA (Antuérpia), Tennis Palace (Helsínquia), Yerba Buena (São Francisco), Studio Museum (Harlem) e o Museu de BD e Cartoon (Nova Iorque).

Tem livros publicados na África do Sul, Alemanha, Finlândia, França e Portugal. Papá em África (MMMNNNRRRG; 2014) é o título que o trás ao Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora e que se mostrou controverso mas não impediu de ter sido inteligentemente premiado como Melhor Álbum Estrangeiro nos Prémios Nacionais de BD 2015 do Festival. Não foi colocado nos escaparates físicos na FNAC - só podia ser encomendado nos balcões ou no sítio em linha desta cadeia de lojas - e foi “retirado temporariamente para que se pudesse identificar que se trata de uma Banda Desenhada para adultos” nas livrarias da Fundação Gulbenkian, no âmbito da sua visita para uma mesa-redonda em Maio de 2015, uma sessão dedicada à banda desenhada no encontro "Outras Literaturas", integrado no programa Próximo Futuro da Fundação.

Se as bandas desenhadas de Kannemeyer suscitam discussão sobre os traumas e a má-consciência do pós-colonialismo, o mais estranho é levantarem o velho preconceito revelador da falta de estatuto da banda desenhada noutros circuitos. Apesar da escamoteada censura económica este título rapidamente esgotou mas tornou-se impossível a sua reimpressão. Já é um livro de culto.

Aproveitando a visita do autor ao 27º FIBDA, a MMMNNNRRRG lançou O Meu Nelson Mandela e Outros Contos, uma nova compilação de histórias e desenhos, desta vez mais autobiográficas e ensaísticas, afastadas do imaginário do não menos polémico Tintin no Congo. Apesar de serem trabalhos mais intimistas não significa que sejam menos virulentos.
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O Meu Nelson Mandela e Outros Contos 
de 
Anton Kannemeyer 
36º volume da MMMNNNRRRG
compilado por Marcos Farrajota 
traduzido por Manuel João Neto (BDs) e Marcos Farrajota (desenhos e pinturas)
Design e legendagem por Joana Pires com o apoio da Táxi Lettering (criação de font e títulos)
500 exemplares / metade da edição esgotada
16p. p/b + 16p a cores, capa a cores

À venda na Cloja virtual da Chili Com Carne e na Tasca MastaiBdMania, Linha de Sombra, Pó dos LivrosArtes & LetrasMundo FantasmaTigre de PapelMOB, Bertrand, FNAC, Bar Irreal, UtopiaMatéria Prima, STETLAC (Lagos) e Nouvelle Librarie Française. E ainda na Ugra Press (Brasil), RastilhoFatbottom Books (Barcelona), Neurotitan (Berlim)...

Historial: Lançado oficialmente no dia 30 de Outubro na BD Amadora 2016 com presença e exposição do autor ... Entrevistas no Público e na Blimunda ... Foi aceite pela FNAC (uau!) ... Um dos Melhores Livros de 2016 no Expresso ...

Feedback: serve de complemento à histórias do livro anterior, e onde aquele era uma espécie de radiografia a um imaginário interno e cultural partilhado, que tantas vezes reflecte igualmente fantasmas dos seus leitores, estoutro é mais focado na experiência própria do autor, como se houvesse a possibilidade de mostrar um balanço da sua vida como fruto das consequências da educação. Pedro Moura in Ler BD