sábado, 27 de Maio de 2006

Samizdata Club @ Cinema Paraíso (Festa da Lucrécia) HOJE

Samizdata Club em rota de itenerância para Leiria - dia 27 de Maio no Cinema Paraíso com a seguinte programação, a partir das 22h :
_Lançamento de Lucrécia (5º volume da Colecção CCC), (anti)romance de Rafael Dionísio;
_Live-act de Sci-Fi Industries;
_Festa com unDJ Goldenshower;
_Feira de Zines e Discos pela Associção Chili Com Carne e Thisco.

Sobre os intervenientes:

Rafael Dionísio nasceu em 1971 e é autor de uma já bastante razoável produção literária. Publicou recentemente "A Sagrada Família" (2002) e "textos mais ou menos poéticos" (2000) ambos pela Associação Chili Com Carne. Além da sua produção literária reparte-se pelo Estudo Crónico e ministrando cursos de Escrita Criativa na "Tuatara Atelier Aberto". Rafael Dionísio é senhor de vastos recursos estilísticos/literários apresentando uma obra com um carácter multi-dimensional e proteico.
Sci-Fi Industries ainda em divulgação do terceiro álbum "The Air Cutter" e após elogiosas palavras aos dois anteriores trabalhos em praticamente toda a crítica especializada europeia, Luís van Seixas apresenta-se mais uma vez ao vivo com ritmos electro-industriais e drum´n´bass. Destaca-se a assinatura muito pessoal do projecto que combina beats produzidos à velha escola e ambientes de cariz orgânico.
unDJ GoldenShower queria ser um DJ panilas do Electro mas como também gosta de Metal decidiu continuar heterosexual e passar toda a espécie de música que gosta. Entre as várias festinhas e barzinhos por onde tem posto música só foi expulso uma vez, o que não é mau. Junto com Ovelha Negra organizaram as violentas noites Industrial XXX. Vive com Axima Bruta e a gata Deus, embora só com a primeira escreve no www.chilicomcarne.blogspot.com e na revista Entulho Informativo. Está integrado nos OSAMAsecretLOVERS, um colectivo de un-dj's - pessoas que a) gostam de música b) que tem uma colecção considerável de boa música c) que gostam de partilhá-la em espaço virtual e físico d) fazem DJihad ao Bairro Autismo!

Samizdata Club @ Cinema Paraíso - Festa da Lucrécia

segunda-feira, 22 de Maio de 2006

Néscio, revista portuguesa de idâias

Imprensa Canalha, Mai'06

«Não há país que fale mais dele próprio que Portugal. E digo isto com causa de conhecimento. Só nos rivalizam os EUA, esse Império Romano que tem esse Direito.» - Marte in Néscio

E de resto está tudo dito, parte da equipa editorial do extinto Zundap, lembrou-se de fazer um zine dedicado a Portugal e a sua envolvente psico-social, e infelizmente, quase como se podia esperar é bater um bocado no ceguinho... Mesmo quando os colaboradores são, sem dúvida, de qualidade acima de qualquer média zinista sente-se uma certa desinspiração. Há momentos altos, como o "texto-polaroid" de Adolfo Luxúria Canibal, as ilustrações "mondo bizarro" de Joana Figueiredo, as bd's "oubapos" de José Feitor e Bruno Borges, e os textos gráficos de Bárbara Róf.
«Long live Zundap!» porque nesse zine os criadores estavam à vontade!
De resto, a "Amálgama Sonora Nacional" (CD-R que acompanha este zine), são 17 minutos de bizarria sonora sobre e de Portugal bastante divertida - especialmente a voz à la BBC sobre o santuário de Fátima (essa Eurodisney dos católicos!). Registos do 25 de Abril, tekno-pimba, Taveira remix e Marco Paulo também estão no saco... upa-upa! Bom trabalho do compilador-remisturador Filipe Leote!

À venda na CCC com desconto 20% para sócios CCC.

domingo, 21 de Maio de 2006

Canalhas!!!

Depois do do lançamento do terceiro livro de Rafael Dionísio, intitulado de Lucrécia, e dos títulos da Imprensa Canalha, neste fim-de-semana, no Monte, aproveitamos para informar que um dos títulos da Canalha, o zine Néscio, tem colaborações dos associados Joana Figueiredo, Marcos Farrajota e João Maio Pinto, os mesmos tem os originais dessas participações expostos na mostra orPugatl que está patente até dia 27 de Maio, também no Monte.

quarta-feira, 17 de Maio de 2006

Porquê é que toda a gente odeia Hip Hop?


Factos Reais: "Plano B" (CD'05 ; Matarroa / SóHipHop)

Agora que o Entulho Informativo ficou mesmo careta e burro de vez, já não aceita resenhas críticas de HipHop, o que me obriga a divulgar este género urbano, alternativo e contemporâneo com alguma fúria.

Factos macro-reais:
a) o HipHop é a cena musical do momento no mundo inteiro.
b) um CD comporta 80 minutos de informação áudio.
c) o HipHop é um movimento que mexe com várias “raças” e estratos sociais e canta-se em português no HipHop português.
d) os limites estéticos do HipHop ainda estão a ser explorados.

Factos micro-reais:
a) apesar do nível bastante alto das produções nacionais e do talento dos seus protagonistas parece que ainda não apareceram figuras com uma personalidade invulgar, de tal forma que quase todos os MC's parecem iguais no tom da voz e/ou na mensagem a transmitir.
b) um CD não precisa de ser entulhado de música só porque pode - um álbum passa pela contenção.
c) as faixas em crioulo deste “Plano B” são as mais fixes porque em português já ouvimos (quase) as mesmas coisas noutros discos - excepto para a arrepiante autobiográfica última faixa (escondida) que nos relata um episódio de violência.
d) aqui há beats muito viciantes embora não fuja à regra de um (bom) álbum de HipHop.

segunda-feira, 15 de Maio de 2006

I don't wanna grow up in O'Malley's Bar


É o título da nova exposição individual de Pedro Zamith que inaugurou no dia 6 de Maio, na Galeria Pedro Serrenho e que está patente até 31 de Maio, de Terça a Sábado das 11h às 19h.




«Z-MAN and the MASTERS of the UNIVERSE

Não tem sido fácil trabalhar na pintura figurativa graças às modas patéticas da pintura abstracta e da Conceptual Art mas seria impossível continuarem-nos a enganar quando a nossa geração se excitou sexualmente com a Maga Patalógica (conheço um caso), chorou com a morte da Fénix dos X-Men (conheço vários), que canta nostalgicamente aos jantares de aniversário as músicas do Marco ou da Heidi (sem comentários), que perde tempo a reinventar “Marretas” sórdidos para cinema ou HipHop (os “Feebles” de Peter Jackson e os Puppetmastaz, respectivamente). Todos nós queremos “bonecos”!

Bonecos? Ou serão novos artefactos religiosos? Não serão as orelhas do Mickey mais amadas que a cruz cristã? Porque é que o novo “guilty pleassure” são bonecos em volume feitos em PVC e outros plásticos? Porque é que se fala, actualmente, tanto de “criação de personagens”? Porque é que a actual maior banda de Pop/Rock são os virtuais Gorillaz?
No figurativo encontramos o que o ser humano (vulgo, símio voyeur) precisou sempre de ver ao longo da história: a destruição (moral, social, física, individual ou colectiva), a redenção, e antes disso, o pecado – mesmo que não seja o Original, o do folhetim da vida já é suficiente -, a dor, o corpo (o nosso ou o do outro), o medo, a insegurança das grandes cidades (o campo não é muito melhor mas moino-mutantes que somos já nos esquecemos disso), a ameaça da Morte – vendo bem as coisas, um acidente de viação ou um encontro com um serial-killer não são as mesmas provas oferecidas aos mortais pelos Deuses como as trapalhadas de Ulisses na Odisseia? Ou tens Atena ou antenas ou então, surpresa: o teu braço já está dentro da bexiga do John Wayne Gacy! Mas creio que me estou a dispersar…

Nesta exposição, as canções de Tom Waits e (uma) de Nick Cave são, apenas, pretextos para Zamith trabalhar. Naturalmente, que Zamith há muito explora personagens ridículos e fisicamente distorcidos. Figuras congeladas no tempo porque o que Zamith faz são “tradicionais” retratos. No entanto não creio que haja relação possível entre a rouquidão boémia de Waits ou o negrume “gótico americano” de Cave e o estilo gráfico de Zamith. Os seus retratos são de sabor Pop Vintage, imaginário de série B e Z, lixo com glamour porque é pintado a tinta de parede esmalte à base de água. O resultado é bastante idêntico aos tais bonecos acima referidos: formas bem delimitadas, cores planas, quase que básicas, logo a superfície plástica de Zamith nunca poderá suportar o tabagismo de Waits nem o “suor, sangre e lágrimas” de Cave. O que não impede, no entanto, de abordar os universos destes músicos, à procura e encontrando uma versão.
Não é de desprezar estas versões diurnas de Zamith por elas serem versões. Estas imagens são vitrais das nossas igrejas DIY. Tal como o homem medieval que se sentia rebaixado com essas imagens maiores que ele, assim também nós nos rebaixamos às personagens sofredores de Waits e Cave. Mártires sem bula papal, pobres-diabos que Zamith ao materializá-los (mesmo que bidimensional) elevou-os a santos modernos. Já perceberam a piada, claro… Por sermos consumidores de imagens, somos pagãos até à medula. Todos nós sem sabermos já construímos a nossa religião, a nossa igreja e o nosso altar lá em casa. Eu, por exemplo, faço parte da Igreja Gráfica de Sto. Comix e da Ordem dos Grão-mestres Zamithes.

Por fim, não deixaria de referir que o trabalho de Zamith está em consonância com uma nova vaga emergente de “artistas gráficos” que brevemente nesta mesma galeria, terão trabalhos expostos numa mostra comissariada pelo Pedro Zamith. Marquem uma procissão para Junho. A arte conceptual e afins é para robots e informáticos!!!
Amém!

Marcos Farrajota,
Pastor»

in catálogo/desdobrável da exposição.